"Há muitos hotéis em `stress` " mas acreditam na retoma nos próximos meses - Miguel Júdice

"Há muitos hotéis em `stress` " mas acreditam na retoma nos próximos meses - Miguel Júdice

Lisboa, 12 mar (Lusa) -- O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Miguel Júdice, admitiu hoje que "há muitos hotéis com `stress` de vária ordem", mas tem "esperança que nos próximos meses haja alguma retoma da procura".

Lusa /

"Há muitos hotéis com `stress` de vária ordem, como há muitas empresas", disse Miguel Júdice, realçando que "o Estado e os bancos têm soluções para ajudar as empresas a ultrapassar o deserto que estão a atravessar".

À margem da assinatura do protocolo de colaboração da AHP com a Galp Energia, em Lisboa, o empresário adiantou que janeiro e fevereiro foram meses fracos para o setor, com a queda a ser minimizada pela procura estrangeira que não caiu tanto como a interna, mas diz existirem "sinais de otimismo em relação aos próximos meses".

"Tenho esperança que, nos próximos meses, haja alguma retoma, que os portugueses não vão tanto para fora, fiquem cá dentro e aproveitem esta altura para conhecer o que é nosso", declarou.

Entretanto, acrescentou, os hotéis "têm que encontrar formas de se reinventarem", porque "hoje é preciso ir atrás dos clientes, pescá-los à linha".

Miguel Júdice reconheceu que algumas unidades hoteleiras estão a recorrer ao esmagamento dos preços, considerando que "é uma forma de atravessar a época baixa. A necessidade de realizar dinheiro, no curto prazo, faz com que se tomem decisões como estas", acrescentou.

O presidente da AHP disse que "é tão raro os hotéis fecharem", que "é preocupante quando uma unidade hoteleira fecha, o que tem acontecido nos últimos meses".

"É a prova que é um setor que tem as suas fragilidades e que precisa de apoios nestas alturas mais difíceis", disse, sublinhando o "efeito multiplicador dos hotéis na economia local".

A taxa de ocupação e o preço médio por quarto ocupado na hotelaria portuguesa aumentaram 2,5 e 2,6 por cento, respetivamente, em 2011, tendo a receita média mensal por turista subido quase cinco por cento, para 106 euros, de acordo com os dados da AHP.

Já em dezembro, registaram-se variações globais negativas de 4,1 por cento no preço médio por quarto ocupado e de 7,4 por cento no preço médio por quarto disponível.

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