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Há vontade em aprofundar parcerias e relações com a Etiópia e o Quénia

Há vontade em aprofundar parcerias e relações com a Etiópia e o Quénia

 O ministro dos Negócios Estrangeiros salientou hoje à Lusa, após visitas oficiais à Etiópia e ao Quénia, a vontade de Portugal em aprofundar parcerias económicas, estratégicas e culturais, dadas as boas relações históricas com os dois países.

Lusa /
Tiago Petinga - Lusa

Paulo Rangel visitou a Etiópia e o Quénia entre 14 de abril e hoje, e fez à Lusa, por telefone, um balanço dos seus encontros diplomáticos com os seus homólogos etíope e queniano - Gedion Timothewos e Musalia Mudavadi, respetivamente - assim como do seu encontro com o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed Ali, e o Presidente queniano, William Ruto. 

Relativamente à Etiópia, onde esteve na terça-feira, destacou que existe "um grande convite para uma maior presença portuguesa", sustentado numa relação com raízes históricas profundas e antigas.

"As relações são muito antigas. Há essencialmente muita memória da presença portuguesa na Etiópia, em particular de Cristóvão da Gama", afirmou, referindo-se ao militar português, filho de Vasco da Gama, que liderou um contingente de cerca de 800 homens no apoio à defesa etíope.

Segundo Rangel, essa memória tem impacto, pois associa Portugal ao facto de a Etiópia ter sido "o único país que nunca foi colonizado em África".

Apesar do peso histórico, o ministro defendeu a necessidade de reforçar a vertente económica da relação, identificando a agricultura e a energia como áreas prioritárias.

"No setor agrícola está a haver uma expansão enorme", afirmou o chefe da diplomacia portuguesa. 

O ministro explicou que a Etiópia passou recentemente a registar excedentes de cereais, após décadas de dificuldades de segurança alimentar.

Na área energética, destacou que o país produz cerca de 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis hídricas, mas pretende diversificar para solar e eólica, setores em que "Portugal tem uma experiência muito grande", indicou.

Por outro lado, defendeu que mais deve ser feito relativamente ao ensino da língua portuguesa no país, apesar de existirem protocolos universitários, mas que "é preciso que as universidades da Etiópia estejam um pouco mais abertas" à disponibilidade e presença portuguesas.

O governante evidenciou ainda a importância estratégica de Adis Abeba, sede da União Africana, como ponto central para a presença portuguesa na região.

Sobre a situação interna do país, referiu que, "apesar de tudo, a estabilidade, neste momento, tem vindo a ser garantida", numa referência ao conflito na região de Tigray, no Norte.

Durante a visita, o ministro foi recebido pelo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed Ali, que, segundo disse, enfatizou a importância de olhar para o futuro.

A ligação aérea direta entre o Porto e Adis Abeba, iniciada no verão de 2025, foi também apontada como um fator que facilita o reforço das relações, permitindo maior mobilidade para África.

Já no Quénia, durante a visita que se iniciou na quarta-feira, o governante destacou a existência de um "grande alinhamento político entre os dois países em fóruns internacionais", incluindo as Nações Unidas e no diálogo entre Europa e África.

Durante a sua visita, foi assinado um protocolo entre o instituto Camões e a Fundação Aga Khan para a cooperação na área climática referente à restauração costeira que, segundo Rangel, tem impacto económico e social, sobretudo junto de mulheres e jovens.

Por outro lado, para o ministro, as relações económicas permanecem aquém do potencial, pois são "pouco ambiciosas" e defendeu um maior envolvimento de entidades como a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) para reforçar a presença empresarial portuguesa.

Segundo Rangel, existem oportunidades em áreas como as energias renováveis, a construção, a agricultura e a economia do mar, incluindo aquacultura, pescas e segurança marítima.

O governante indicou também a intenção de se avançar com um acordo na área da segurança e defesa, que já foi devidamente comunicado ao ministro da Defesa, Nuno Melo.

"Estão muito interessados na indústria dos `drones` [aeronaves não-tripuladas], não se fecham à nossa contribuição para a indústria de produção", contextualizou. 

Por outro lado, relembrou que está acordada, "há muito tempo, a possibilidade de haver ensino de português no secundário queniano como opção, embora nunca tenha sido levado à prática", mas há agora possibilidade de este ser implementado em algumas escolas-piloto.

Durante a visita, o ministro reuniu-se ainda com o Presidente queniano, William Ruto, a quem entregou um convite oficial do Presidente da República, António José Seguro, para visitar Portugal, particularmente, se possível, durante o fórum EurAfrican, evento organizado pelo Conselho da Diáspora Portuguesa.

Com o chefe de Estado queniano foi ainda evidenciada a possibilidade do estabelecimento de relações triangulares "Portugal-Moçambique-Quénia", devido às excelentes relações citadas por Ruto relativamente a Moçambique e que, segundo o ministro, podem ser uma oportunidade para o reforço da cooperação portuguesa na África Oriental.

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