IATA aponta limitações do aeroporto de Lisboa como maior risco para Portugal no verão

IATA aponta limitações do aeroporto de Lisboa como maior risco para Portugal no verão

A IATA considera que o maior risco para Portugal este verão são as limitações de infraestrutura, sobretudo no aeroporto de Lisboa, num contexto de forte procura e maior pressão no controlo de fronteiras.

Lusa /

Questionado sobre os principais desafios para os aeroportos e companhias aéreas portuguesas nos próximos meses, o vice-presidente regional da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) para a Europa, Rafael Schvartzman, apontou as limitações de infraestrutura.

"Penso que o maior risco que Portugal tem este verão são as limitações de infraestrutura, refiro-me especialmente ao aeroporto de Lisboa", disse em entrevista à Lusa.

O responsável explicou que a infraestrutura aeroportuária enfrenta constrangimentos de capacidade, numa altura em que se antecipa uma época de verão particularmente exigente para o transporte aéreo europeu.

"O Aeroporto Humberto Delgado está extremamente limitado em termos de capacidade. Isso é visível", afirmou.

Rafael Schvartzman apontou também o impacto do Sistema de Entrada/Saída da União Europeia, conhecido pela sigla inglesa EES, que substituiu os tradicionais carimbos nos passaportes por registos digitais.

"O EES, no caso específico de Portugal, é uma situação séria", disse, sublinhando, porém, que "em toda a Europa, há diferentes níveis de criticidade".

"Não é algo que nos dê confiança suficiente de que haverá, no geral, uma boa experiência para os passageiros", acrescentou.

O novo sistema europeu de controlo de fronteiras entrou em funcionamento em outubro de 2025, de forma faseada, em Portugal e nos restantes países do espaço Schengen, tendo desde então agravado os tempos de espera nas fronteiras aéreas.

Para reduzir as filas de passageiros provenientes de fora do espaço Schengen, entrou em funcionamento na sexta-feira no aeroporto de Lisboa um reforço de meios humanos e técnicos no controlo de fronteiras.

Rafael Schvartzman defendeu que é necessário garantir "ainda mais flexibilidade" e responder a falhas que podem estar relacionadas com tecnologia, infraestrutura ou recursos humanos.

"Essas lacunas podem ser tecnológicas, de infraestrutura ouestar relacionadas com recursos, por exemplo, com o controlo fronteiriço ou a polícia de fronteiras não terem os efetivos necessários no terreno", afirmou.

Para o responsável da IATA, a questão central é a capacidade do sistema aeroportuário português para absorver a procura prevista.

"Seguramente, a maior questão é a capacidade de absorver esta procura. Atualmente, em Portugal, há um problema", apontou, considerando ainda que a qualidade do serviço prestado no aeroporto de Lisboa está aquém do necessário.

"Vê-se que a qualidade de serviço que está a ser prestada no aeroporto não é a que deveria ser", afirmou.

O responsável referiu dados de pontualidade da Eurocontrol para sustentar as críticas ao desempenho do Aeroporto Humberto Delgado, apontado no relatório relativo a 2025 como o pior, nas partidas, entre os 30 principais aeroportos analisados, com uma pontualidade pouco abaixo de 51%.

Para Rafael Schvartzman, estes números refletem a dificuldade do aeroporto em lidar com o volume atual de tráfego e têm impacto direto sobre passageiros e companhias aéreas.

Segundo dados da IATA, apresentados por Rafael Schvartzman nos AED Days 2026, na semana passada, em Oeiras, o transporte aéreo contribui com 20,2 mil milhões de dólares ((cerca de 17,3 mil milhões de euros) para o PIB português, equivalente a 7,1% do produto interno bruto, e suporta 335 mil empregos.

O documento refere ainda que 84% das partidas de passageiros com origem ou destino em Portugal são internacionais e que 85% das partidas internacionais a partir de Portugal têm como destino a Europa.

Na entrevista à Lusa, Rafael Schvartzman reforçou a importância do turismo para a economia portuguesa, lembrando que representa cerca de 12% do PIB.

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