Índia dá novo passo no programa nuclear civil
A Índia anunciou ter desenvolvido um reator nuclear experimental que alcançou a sua primeira reação em cadeia, num novo passo rumo à independência do país em matéria de combustível nuclear.
O protótipo de reator de neutrões rápidos, construído em Kalpakkam, no sul do país, ainda não atingiu, no entanto, a fase operacional de produção de eletricidade, segundo o Governo indiano.
"Hoje, a Índia deu um passo significativo no domínio do nuclear civil", afirmou o primeiro-ministro, Narendra Modi, na segunda-feira, numa mensagem na rede social X, acrescentando que esta tecnologia permitirá explorar as "vastas reservas de tório [metal radioativo]" do país.
"Este reator avançado, capaz de produzir mais combustível do que consome, demonstra as nossas capacidades científicas e a competência dos nossos engenheiros", acrescentou.
A Índia, onde cerca de 73% da produção de eletricidade provém de centrais a carvão, pretende expandir o setor nuclear para responder ao aumento da procura energética e reduzir simultaneamente as emissões de carbono.
Atualmente o terceiro maior poluidor mundial, depois dos Estados Unidos e da China, o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,5 mil milhões de habitantes, comprometeu-se a atingir a neutralidade carbónica até 2070.
O parlamento indiano aprovou em dezembro uma lei que abre a produção de energia nuclear ao setor privado, visando quadruplicar a capacidade instalada, nomeadamente através do desenvolvimento de pequenos reatores.
A Índia dispõe atualmente de cerca de duas dezenas de reatores nucleares, maioritariamente de conceção russa, com uma capacidade superior a 8.000 megawatts (MW), que representam aproximadamente 3% da produção total de eletricidade do país.