Inflação na China abranda em junho e preços no produtor atingem máximo desde 2022

Inflação na China abranda em junho e preços no produtor atingem máximo desde 2022

A inflação na China abrandou para 1% em junho, abaixo das previsões dos analistas, enquanto os preços no produtor subiram 4,1%, o valor mais elevado desde julho de 2022, mostram dados oficiais hoje divulgados.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O índice de preços no consumidor (IPC), principal indicador da inflação, aumentou 1% em termos homólogos em junho, desacelerando face aos 1,2% registados em maio, segundo dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) da China.

O resultado ficou ligeiramente abaixo das previsões do mercado, que apontavam para uma inflação de cerca de 1,1%.

Já o índice de preços no produtor (IPP) subiu 4,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, acelerando face aos 3,9% de maio e registando, pelo quarto mês consecutivo, a taxa mais elevada desde julho de 2022.

O indicador saiu da deflação em março, após quase três anos e meio de quedas, impulsionado sobretudo pela subida dos preços da energia na sequência do conflito entre o Irão e Israel.

Segundo o GNE, o aumento dos preços no produtor foi impulsionado pelos setores da extração de carvão, maquinaria elétrica, equipamentos eletrónicos e metalurgia.

Em termos mensais, porém, o IPP recuou 0,3%, refletindo a descida dos preços internacionais do petróleo após o cessar-fogo acordado entre os Estados Unidos e o Irão.

Os dados sugerem que a economia chinesa continua marcada por uma recuperação desigual. Enquanto as exportações e os setores tecnológicos beneficiam do forte investimento em inteligência artificial, o consumo interno permanece frágil, penalizado pela crise prolongada do imobiliário, pelo investimento moderado e pela procura doméstica ainda contida.

Embora a subida dos preços tenha melhorado a rentabilidade de alguns setores industriais e tecnológicos, muitas empresas orientadas para o mercado interno continuam a ter dificuldade em repercutir o aumento dos custos nos consumidores.

Esta situação evidencia os desafios enfrentados pelas autoridades chinesas para apoiar o emprego e reforçar a procura interna.

Também hoje, o regulador chinês do mercado reiterou a campanha contra a chamada "concorrência destrutiva", procurando travar guerras de preços consideradas excessivas em setores como veículos elétricos, painéis solares, baterias de lítio, aço, cimento e entrega de refeições.

Analistas consideram que serão necessárias medidas adicionais de estímulo para reequilibrar uma economia ainda marcada pelo excesso de capacidade produtiva e pela debilidade do consumo interno, apesar do forte desempenho das exportações.

 

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