Investimento de 12 milhões de euros leva fábrica de placas de gesso para Sines

Investimento de 12 milhões de euros leva fábrica de placas de gesso para Sines

Uma fábrica de placas de gesso, utilizadas no setor da construção civil, vai criar mais de 30 postos de trabalho em Sines, no distrito de Setúbal, representando um investimento privado de 12 milhões de euros.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A escolha da cidade do litoral alentejano para implantar o projeto foi "estratégica", contou hoje à agência Lusa o empresário Pedro Jordão, uma vez que a matéria-prima, o gesso sintético, é produzida na vizinha central termoelétrica da EDP.

A fábrica está em construção desde janeiro e deverá estar concluída até ao final deste mês, prevendo-se que comece a laborar no final do verão, após um período de testes industriais e de formação do pessoal, indicou o investidor de Leiria.

A ideia do negócio nasceu quando Pedro Jordão liderava o Grupo Preceram, que apostou na instalação de uma fábrica de placas de gesso na Figueira da Foz, no distrito de Coimbra.

O projeto alentejano ficou suspenso quando Pedro Jordão saiu daquele grupo, em 2010, tendo mais tarde sido retomado pelo empresário em parceria com a Capital Criativo, uma sociedade de capital de risco.

A construção da unidade na Zona Industrial e Logística (ZIL) de Sines envolve um investimento de 12 milhões de euros, em maquinaria e infraestruturas, contando com um financiamento de quatro milhões de euros do anterior quadro comunitário.

Por isso, realçou Pedro Jordão, a Gypfor é um projeto "relâmpago", que tem de estar concluído "impreterivelmente" até ao final de junho, sob pena de perder os fundos europeus.

O empresário atribui o início tardio das obras ao funcionamento da entidade gestora da ZIL, a Aicep Global Parques, que originou "bastantes obstáculos" à implantação do projeto, o que lhe causou "surpresa e revolta".

Outro potencial problema que antevê é a impossibilidade de comprar o gesso sintético à EDP, um material que resulta de um processo de lavagem de gases com uma solução de calcário, cujo objetivo é a redução da emissão de óxidos de enxofre para a atmosfera, fruto de um investimento de quase 200 milhões de euros realizado pela companhia elétrica.

Se não conseguir fechar negócio com a EDP, o empresário terá de importar gesso mineral de Espanha ou de Marrocos, uma vez que não existe em Portugal, o que, além de considerar "caricato", poderá encarecer o processo.

"Mas o projeto há de ir para a frente", assegurou.

A empresa precisa de 60 a 80 mil toneladas de gesso para produzir cerca de 10 milhões de metros quadrados de placas por ano.

Segundo Pedro Jordão, este produto, utilizado na construção de divisórias interiores e no revestimento e isolamento de paredes e tetos, "ainda está em crescimento", sendo o mercado ibérico o alvo da Gypfor.

O empresário prevê uma faturação anual superior a 15 milhões de euros e que o projeto fique pago em cinco anos.

A unidade industrial, com uma área coberta de 12 mil metros quadrados e "orgulhosamente" equipada com tecnologia desenvolvida e fabricada em Portugal, laborará cinco dias por semana, inicialmente com um turno e, até ao final do ano, em contínuo, empregando entre 30 e 40 pessoas.

Pedro Jordão considera que este projeto é a prova de que "ainda é possível investir" em Portugal, "apesar de todas as condicionantes", entre as quais a "quantidade de impostos indiretos que asfixiam as empresas".

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