Investimento em PPR faz sentido se for a longo prazo

Investimento em PPR faz sentido se for a longo prazo

Lisboa, 15 Dez (Lusa) - Os portugueses que tenham poupanças e estejam interessados em aplicá-las a longo prazo devem investir em fundos de pensões, aconselham alguns especialistas ouvidos pela Lusa.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Com a aproximação do final do ano e dado o benefício fiscal deste tipo de produtos, alguns portugueses costumam escolher esta altura para investir em fundos de pensões (PPR).

Mas será que a evolução recente dos mercados financeiros e a actual conjuntura económica aconselham este tipo de investimento?

António Ribeiro, da Deco, disse à Lusa que investir num PPR depende do objectivo da poupança de cada pessoa. "Se se puder prescindir do capital durante muitos anos, os PPR são uma solução interessante, sobretudo devido ao benefício fiscal", afirmou o mesmo analista, defendendo que se o dinheiro for preciso no ano seguinte, então este investimento pode não ser indicado.

A cada investidor pode deduzir 20 por cento do valor investido em PPR até um máximo de 400 euros se tiver menos de 35 anos, 350 euros se tiver entre 35 e 50 anos e 300 euros se tiver mais de 50 anos.

"Se calhar não há muitos depósitos que dêem muito mais" do que esse rendimento em benefício fiscal, alertou António Ribeiro. Por isso, a Deco "continua a aconselhar a compra de PPR, na óptica de um investimento de longo prazo".

Para quem tem mais de 50 anos, é aconselhável optar por um seguro com capital e rendimento mínimo garantido, segundo António Ribeiro, enquanto a partir dos 40 anos é preferível optar por um fundo de pensões investido em acções.

Diogo Teixeira, administrador da sociedade gestora Optimize, diz que aconselham os seus investidores a comprar PPR, "porque os mercados já caíram" e porque "o investimento em produtos a taxas garantidas [os tradicionais depósitos] não fazem sentido a médio e longo prazo".

Gonçalo Gomes, do departamento de markteting do ActivoBank7, lembra que "mesmo nos PPR mais agressivos, os gestores podem proteger a carteira em conjunturas de mercado mais negativas", pelo que qualquer conjuntura "é boa" para este investir neste tipo de produtos se o obejctivo for planear a reforma.

Desde o início do ano, o valor dos investimentos em PPR (sob a forma de fundos de investimento e de pensões) baixou 40 por cento, para 2,5 mil milhões de euros, segundo dados da Associação Portuguesa dos Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP), com a grande maioria a obter rentabilidades médias, a um ano, negativas.

No entanto, estes dados não têm em conta os PPR que existem sob a forma de seguros.

A Lusa tentou obter esses valores junto da Associação Portuguesa de Seguradoras (APS), mas até ao momento não foi possível.

"O pico das taxas de juro altas vai desaparecer", avisou Diogo Teixeira, sublinhando que "não faz sentido" comprar depósitos para investimentos a prazos mais longos, já que até ao final de 2009 não se deve conseguir arranjar depósitos com taxas superiores a um/dois por cento. É preferível optar por PPR não garantidos se se procurar investimento a cinco ou 10 anos.

Quanto aos novos Certificados de Reforma, os `PPR públicos`, a Deco disse não recomendar "por enquanto" e Diogo Teixeira preferiu sublinhar que eles são complementares, embora tenham o inconveniente de não permitirem desmobilizações antecipadas.

IRE

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