Já arrancou a WebSummit. Com alertas do homem que inventou a World Wide Web

| Economia

Reportagem
Paddy Cosgrave já disse que a Web Summit vai ficar em Portugal nos próximos 10 anos
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Abriu portas aquele que é considerado o maior evento de empreendedorismo da Europa de base tecnológica. Até quinta feira são esperadas cerca de 70 mil pessoas que chegam de todo o mundo para vender ideias e perseguir sonhos. O pontapé de saída foi no palco da Altice Arena com Paddy Cosgrave, que ainda recentemente garantiu que esta cimeira vai ficar em Portugal nos próximos 10 anos. Em troca, o Governo português compromete-se a injetar anualmente 11 milhões de euros nesta conferência. Mas o primeiro dia fica marcado por dois momentos. Tim Berners-Lee, que criou a World Wide Web e António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.

O sonho era criar uma plataforma aberta e gratuita para servir a Humanidade. Ligar o mundo através de uma extraordinária rede. Até certo ponto, esse objetivo, esse sonho de Tim Berners-Lee, concretizou-se, sendo que, em particular nos últimos tempos, parece também ter ido muito além do que ele imaginava. Pelos piores motivos.

Na Web Summit, Tim Berners-Lee falou sobre o projeto que está a lançar, o “Contrato para a web”.

“Princípios e valores que sentimos que são importantes”, afirmou. A ideia é tornar todos, indivíduos, empresas, governos, “responsáveis por tornar a web” um espaço melhor.


José Sena Goulão, Lusa

Este “Contrato para a web” exige que as empresas tecnológicas respeitem a privacidade dos dados que recolhem e que apoiem o melhor da Humanidade. O Facebook e a Google já o assinaram, tal como o Governo francês. Um contrato que defende alguns princípios para uma Internet livre e aberta, mas que chegue a cada vez mais pessoas e que promova a privacidade.

Estes princípios, que estão agora a ser estabelecidos, serão discutidos e implementados após discussões com empresas e governos de todo o mundo.
O ano em que metade da população está online. E a outra metade offline

O homem que criou a Web disse que o ano de 2019 ficará para a história como o momento em que metade da população mundial estará online. Mas também o ano em que metade da população não terá acesso a essa tecnologia. “Temos a obrigação de olhar pelas duas partes do mundo. Peço a vossa ajuda para serem parte deste contrato”, disse.

“A ideia é resolver um grande problema que temos. Das pessoas que não estão online e das pessoas que estão online. Nós conseguimos fazer isto. Juntos. O contrato para a web é revolucionário”, afirmou. “Porque é voltar aos valores” que imaginou.

Miguel A. Lopes, Lusa

O criador da web deu um exemplo de como essa transformação pode ocorrer. “Se estamos a construir uma plataforma enorme de software” - defendeu, referindo-se às redes sociais - “[é preciso] pensar nas implicações. Como vai afetar as vidas das pessoas?”.
“Máquinas que têm o poder de tirar vidas devem ser banidas”
Os alertas prosseguiram, depois pela voz do secretário-geral das Nações Unidas, em particular em relação à inteligência artificial.

“As coisas estão a mudar muito rapidamente”, disse António Guterres. “A inteligência artificial está em todo o lado”. O que gera enormes “benefícios para as pessoas e para o planeta”.

Mas Guterres logo referiu que estas tecnologias vão também criar enormes desafios, uma vez que terão um forte impacto social. “Nas próximas duas décadas vão ser criados muitos empregos e muitos serão destruídos”, disse. E os empregos que serão criados serão “muito diferentes”. Isso, prosseguiu, vai provocar uma disrupção nas sociedades.

Pedro Nunes, Reuters

Para responder a estes desafios é “preciso investimento na educação. Mas diferente. Aprender a aprender”, uma vez que muitos desses novos empregos ainda não são conhecidos e só serão criados à velocidade da tecnologia.

“Muitos vão ficar para trás”, antevê Guterres. “Esta é uma grande preocupação que devia mobilizar toda a gente e não estamos a fazer o suficiente”.

O secretário-geral das Nações Unidas falou de uma das grandes preocupações que tem atualmente, relacionada com a inteligência artificial e a criação de novas armas: “Muito do que era feito por pessoas agora está a ser feito por máquinas. “É importante” não esquecer que isso também pode acontecer no setor militar. “A militarização da inteligência artificial é um problema”.

Pedro Nunes, Reuters

E deixou uma “mensagem muito clara: máquinas que têm o poder de tirar vidas humanas são politicamente inaceitáveis, moralmente repugnantes e devem ser banidas”. A terminar, o secretário-geral das Nações Unidas disse que, apesar de tudo, ainda espera que “a inteligência artificial seja uma força para o bem”.
A primeira vez em Portugal? Não será a última
Na abertura da Cimeira, Paddy Cosgrave, como habitualmente, deu as boas vindas aos milhares de pessoas que enchiam a Altice Arena. “Bem vindos ao maior local de empreendedorismo de Portugal”.
Marina Conceição, Pedro Ribeiro, Vanessa Brízido, RTP

“Se é a primeira vez em Portugal, não será a última. Portugal vai ser a nossa casa nos próximos 10 anos e é um sítio extraordinário”, afirmou, referindo-se ao acordo estabelecido há umas semanas com o Governo português.

De resto, foi o normal de Paddy Cosgrave nestas sessões de abertura, agradecendo aos participantes e aos voluntários de mais de 60 países que estão na Web Summit. Por estes dias vão estar mais de “31 mil empreendedoras femininas” ligadas à cimeira.

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