Japonesa Fujifilm tem 3.000 milhões de eurosME para aquisições de empresas e está atenta a Portugal

Japonesa Fujifilm tem 3.000 milhões de eurosME para aquisições de empresas e está atenta a Portugal

Porto, 03 nov (Lusa) -- A Fujifilm vai investir 3.000 milhões de euros nos próximos três anos em aquisições de empresas no âmbito da diversificação da atividade para a medicina, ambiente e cosmética e está atenta a oportunidades em Portugal, afirmou o diretor ibérico.

Lusa /

Aos jornalistas, no Porto - onde a empresa nipónica promove hoje um encontro com clientes e parceiros, inserido nas comemorações do 50.º aniversário na Europa --, António Alcalá afirmou que a Fujifilm Portugal "é uma empresa muito estável, sustentável e sólida", com "uma excecional presença nos mercados fotográfico e de impressão gráfica e na área médica".

Segundo o responsável, no âmbito da estratégia do grupo de investimento de mais de 3.000 milhões de euros "nos próximos dois a três anos" em aquisições de empresas, o mercado português está, por isso, "incluído" no que respeita à procura de oportunidades de negócio, sobretudo no que diz respeito às áreas "gráfica e médica".

Atualmente, disse António Alcalá, a Fujifilm Portugal, atualmente com 42 trabalhadores, representa "cerca de 20%" do volume de negócios do grupo na Península Ibérica, que por sua vez tem um peso na ordem dos 6% na faturação obtida na Europa.

Globalmente, o volume de negócios da Fujifilm atingiu os 22.000 milhões de euros no último exercício fiscal (terminado em 31 de março), enquanto o resultado líquido somou 1.700 milhões de euros, prevendo o grupo "alcançar resultados recorde em três anos, graças sobretudo aos novos produtos que atualmente se encontra a desenvolver em áreas tão distintas como a medicina, energia e meio ambiente".

É que se a empresa de origem japonesa se celebrizou no negócio da fotografia, designadamente da película fotográfica, desde que a partir do ano 2000 este mercado entrou em queda abrupta, com o `boom` da fotografia digital, apostou na diversificação através da inovação e do desenvolvimento de novos produtos e tornou-se numa empresa multissetorial que opera em áreas que vão desde a saúde à energia renovável e meio ambiente, imagem e tratamento e cosmética.

Como resultado, o negócio da fotografia, que chegou a representar 54% das vendas e 70% do lucro, tem atualmente um peso de 15% (e a película fotográfica apenas 1%) na faturação do grupo, que opera em sete áreas de negócio distintas: `Photo Imaging` (papel fotográfico, consumíveis e impressoras), `Optical Devices` (lentes para cinema ou televisão), `Recording Media` (gama centrada no arquivo de dados), `Industrial Products` (radiologia industrial para gasodutos, membranas para gás e água), `Eletronic Imaging` (fotografia digital); `Medical Systems` (prevenção e tratamento na área da saúde, incluindo diagnóstico por imagem, investigação e fármacos) e `Graphic Systems` (chapas para impressão).

"Fármacos para lutar contra o ébola, o cancro e o Alzheimer, sistemas para impedir cópias fraudulentas de produtos, armazenamento seguro de dados, lubrificantes para o setor automóvel para otimização do desempenho dos veículos ou membranas para a purificação de água e gás natural são apenas alguns exemplos onde a Fujifilm atua com o futuro em vista", afirmou Alcalá.

Salientando que a Fujifilm foi "a primeira empresa certificada no Japão para trabalhar na medicina regenerativa", o responsável ibérico disse estarem já no mercado naquele país "dois produtos para reproduzir cartilagens e ossos", a que se juntarão em 2018 "reproduções de córneas e retinas".

Neste contexto, a Fujifilm propõe-se apostar num crescimento orgânico, "mas também através da aquisição de empresas líderes nas áreas que se encontram atualmente em desenvolvimento" no grupo, "sobretudo na área da medicina regenerativa e fármacos".

"A Fujifilm encontra-se numa posição compradora muito importante", sustentou António Alcalá, acrescentando tratar-se de uma empresa "sólida financeiramente e que sabe perfeitamente que o seu futuro reside em apostas claras na direção adequada".

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