Juros da dívida portuguesa atingem novo máximo histórico

Juros da dívida portuguesa atingem novo máximo histórico

Apesar de o Orçamento do Estado para 2011 ter ontem passado na Assembleia da República, o sinal dado pela câmara não se revelou suficiente para apaziguar os mercados internacionais e os juros da dívida portuguesa continuam hoje a sua escalada em máximos históricos. É a sétima sessão consecutiva com os gráficos nos 6,66% e em sentido ascendente, tendo sido já ultrapassado os 6,5% de Setembro passado, então a pior marca para a dívida portuguesa.

RTP /
Os especialistas lêem este sinal como fruto da desconfiança dos investidores face à precariedade que marca o ambiente político em Portugal Justin Lane, EPA

Os juros exigidos pelos investidores para financiarem a dívida nacional já ultrapassou os 6,5 por cento de há cerca de mês e meio, quando a 28 de Setembro foi estabelecido um novo máximo, num sinal claro de que o Orçamento por si só não é encarado nas praças financeiras como suficiente para inverter a delicada situação das contas públicas portuguesas.

Com os juros a subirem pela sétima sessão consecutiva, os especialistas lêem este sinal como fruto da desconfiança dos investidores face à precariedade que marca o próprio ambiente político em Portugal.

Acordo entre Governo e PSD não anula desconfiança
Eram 11H11 quando os investidores estavam a pedir 6,66 por cento pelas obrigações a dez anos.

O spread da dívida portuguesa face aos títulos de dívida alemã nos títulos a dez anos (prémio pedido pelos investidores para comprarem obrigações portuguesas em vez de alemãs) está igualmente a subir, nos 417,3 pontos base.

Na maturidade a cinco anos, os juros atingem 5,49 por cento. O spread face às bunds alemãs (referencial para a Zona Euro) agrava-se para os 382,2 pontos base.

Uma hora antes, os juros exigidos pelos títulos a dois anos estavam a subir para 3,706 por cento (contra 3,574 por cento) e o spread agravava-se para os 290,5 pontos base.

Confirmados receios dos democratas-cristãos
Estes dados confirmam para já o alerta deixado ontem por Assunção Cristas, quando a deputada do CDS-PP dizia que desmoronava a ideia de que bastaria fazer passar o Orçamento para apaziguar os mercados.

"Os mercados olham para a estabilidade política, é inegável, mas antes disso olham para a execução orçamental, olham para os ratios da dívida e, sobretudo, olham para as perspectivas de crescimento económico", apontou a vice-presidente dos democratas-cristãos durante o debate do Orçamento do Estado na Assembleia da República.

Sublinhando que "não é por acaso que, garantida a viabilização do Orçamento do Estado pelo PSD, os juros da dívida pública continuaram a subir acima dos seis por cento", Assunção Cristas concluiria que "se havia ideia que caiu por terra é a de que um orçamento aprovado é o suficiente para convencer os mercados".
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