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Kirchner tenta pôr Lagarde fora de jogo

Kirchner tenta pôr Lagarde fora de jogo

Numa semana de analogias e paralelismos na política, economia e futebol, a Presidente da Argentina foi muito clara na resposta enviada a Christine Lagarde, depois de a chefe do FMI ter ameaçado o país sul-americano com um “cartão vermelho”. Num diferendo instigado pela suposta incapacidade dos argentinos de apresentarem números oficiais para os valores da inflação, a guerra de Cristinas vai no capítulo em que Kirchner avisa Lagarde que a Argentina "é uma nação soberana que não se deixará submeter a nenhuma ameaça".

RTP /
“O papel do presidente da FIFA tem sido muito mais positivo do que o papel da diretora do FMI no que é a organização dos assuntos sob sua responsabilidade”, atirou Kirchner Jason Szenes, EPA

"O meu país não é uma equipa de futebol, é uma nação soberana que toma as suas decisões de forma soberana e que não se deixará submeter a nenhuma pressão nem a nenhuma ameaça", avisou Kirchner desde o púlpito da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde fez ontem o seu discurso. Em 2011, a Argentina declarou oficialmente uma inflação de 9,5 por cento, mas institutos privados corrigiram o indicador para 23 por cento.

O FMI dá agora - após dois adiamentos de seis meses - três meses suplementares para que a Argentina retifique a forma como mede a inflação.


A chefe de Estado reagia desta forma às ameaças da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, depois de Lagarde ter manifestado indisposição face ao que diz ser a incapacidade da Argentina - o oitavo maior país do mundo em área territorial e uma das economias mais importantes da América do Sul - de apresentar números fiáveis da sua inflação.

Já durante 2011, o FMI anunciava que não mais iria processar apenas os números do Governo Argentino, abrindo caminho à aceitação de dados com outra proveniência, por considerar que os cálculos oficiais sobrevalorizam o indicador do crescimento económico e subestimam o da inflação.

No início da semana, Christine Lagarde fazia uso de uma imagética futebolística para dar um último prazo de três meses ao país sul-americano e ameaçar Buenos Aires com um “cartão vermelho” se não corrigir nesse período que vai até 17 de dezembro o que diz serem problemas de cálculo e estatística. Já anteriormente a Argentina foi alvo de um procedimento de sanção pelo FMI devido a este “desajustamento”.

“Espero que possamos evitar o cartão vermelho, mas se as estatísticas não são apropriadas, se não cumprem os requisitos, então todos os jogadores são iguais. Não importa o quão bons são a jogar futebol”, declarou a chefe do FMI, aventando a hipótese real de a Argentina, país fundador do Mercosul, da Organização Mundial do Comércio e membro do G20, vir a ser convidada a sair do Fundo. Durão Barroso olha para a crise do euro e relata a atual situação como se fosse um jogo de futebol, declarando convicção absoluta de que "o euro vai ganhar".

"Quando me perguntam acerca da crise do euro, eu digo que já passámos a primeira parte, estamos na segunda parte do jogo, e, contrariamente ao que previam os apostadores, não perdemos nenhum jogador, ninguém foi expulso, não perdemos", afirmou Durão Barroso durante uma conversa com jornalistas brasileiros, à margem da assembleia-geral da ONU.


O cenário aberto por Lagarde não foi bem recebido por Kirchner, que, num momento em que o paralelismo com o futebol foi usado também pelo Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, deixou claro que "isto não é um jogo de futebol, é a crise económica e política mais grave desde os anos 1930".

O enfado da Presidente argentina não a coibiu, no entanto, de recorrer também ao mundo da bola para contra-atacar: “O papel do presidente da FIFA tem sido muito mais positivo do que o papel da diretora do FMI no que é a organização dos assuntos sob sua responsabilidade”.

Kirchner aludia à capacidade, a cada quatro anos, do organismo supervisor do futebol em levar a cabo um campeonato do mundo, enquanto o Fundo “anda desde os anos 80 a tentar organizar a economia [mundial] e crise após crise não o conseguiu até ao momento”.
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