Economia
Líder patronal sobre negociações com greve: "Não sabemos fazer assim"
Acabou a greve. Depois de três dias de corrida aos postos de combustível foi anunciado o fim do protesto dos motoristas de transporte de matérias perigosas.
Foto: António Pedro Santos, Lusa
O sindicato dos motoristas de matérias perigosas aceitou acabar com a greve que deixou o país em sobressalto.
A Associação dos Transportadores aceitou sentar-se à mesa para negociar o acordo coletivo e o reconhecimento da categoria profissional reclamada pelos motoristas.
O dirigente sindical Pedro Henriques diz que, em 72 horas, os motoristas "conseguiram mostrar a este país o que é a classe profissional de motoristas de matérias perigosas e conseguiram encontrar aqui assim um entendimento para começar a negociar o contrato coletivo de trabalho".
Por seu lado, o dirigente patronal Gustavo Paulo Duarte diz que "este foi um processo difícil porque nós não sabemos fazer assim, não sabemos fazê-lo em greve. Manter negociações em greve. Nós sabemos fazer negociações, chegar a todos os entendimentos, e depois sim, se não chegarmos a entendimento, os trabalhadores deverão fazer aquilo que entendam e que devem fazer".
A greve acabou, mas os efeitos da paralisação vão continuar a sentir-se.
O ministro Pedro Nuno Santos adverte que "a normalização será gradual. Ela não é imediata, porque obviamente nós temos situação de rutura em vários postos de abastecimento, como sabem. A greve terminou o que quer dizer que não há nenhum obstáculo a que a normalidade seja reposta".
A maratona negocial durou catorze horas: às 5h da tarde de quarta-feira, motoristas e patrões foram convocados para uma reunião na Direção-Geral do Emprego e Relações do Trabalho.
O encontro era para discutir o alargamento dos serviços mínimos. Estiveram presentes a ANTRAM, o Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas, a Direção-Geral da Energia, a Direção-Geral do Emprego e o Instituto da Mobilidade.
À mesma hora, o ministro do Trabalho estava na reunião da Concertação Social. Vieira da Silva acompanhou à distância o evoluir das negociações. À saída, pressionou as partes a entenderem-se: "Nós estivemos aqui na concertação social e todos os parceiros apelaram ao diálogo entre as partes, todos os parceiros. Isto quer dizer que a sociedade portuguesa tem a expetativa que se retome um diálogo que conduza a um compromisso e a um entendimento".
Às 10h30 da noite, patrões e motoristas voltavam a sentar-se à mesa. A reunião no ministério do Trabalho terminou já perto das 3h da manhã. Ficou acordado um alargamento dos serviços mínimos, e a todo o país.
Mas, a noite não iria ficar por aqui. O palco negocial mudou-se para o Ministério das Infraestruturas e Habitação. Os avanços foram feitos em reuniões bilaterais com o Governo. À mesa estavam um ministro e dois secretários de Estado, mas ANTRAM e Sindicato sentaram-se à vez.
O acordo só foi alcançado já de manhã. Preto no branco, três páginas fixam o compromisso. A greve termina de imediato. Abre-se um processo negocial. Até 31 de dezembro está garantida paz social no setor.