Líderes da CGTP e da UGT juntam-se pela segunda e última vez numa greve geral
Lisboa, 21 nov (Lusa) - Os secretários-gerais da CGTP e da UGT, Carvalho da Silva e João Proença, vão estar juntos pela segunda vez numa greve geral na próxima quinta-feira, mas esta será a última vez que o fazem enquanto lideres sindicais.
Os dois sindicalistas não vão ter oportunidade de voltar a estar juntos à frente de uma greve geral dado que ambos estão a caminho de deixar a liderança das centrais sindicais.
João Proença ainda continuará à frente da UGT em 2012 pois o próximo congresso da central está previsto para o primeiro trimestre de 2013 e nessa altura será escolhido o seu sucessor porque os estatutos da central não lhe permitem continuar na liderança.
Carvalho da Silva vai deixar a liderança da CGTP no próximo congresso, em janeiro de 2012, por uma questão de idade pois completou 63 anos no inicio de novembro e a central não tem dirigentes com idade de reforma, regra que o impediria de completar mais um mandato de quatro anos.
A greve geral que a UGT e a CGTP marcaram para 24 de novembro é a segunda conjunta das duas centrais sindicais e a sétima realizada em Portugal nos últimos 29 anos.
A CGTP e a UGT convocaram pela primeira vez uma greve geral em conjunto em outubro de 2010, que se concretizou a 24 de novembro do ano passado, contra as medidas de austeridade aplicadas, na altura, pelo Governo socialista, nomeadamente a taxa extraordinária sobre o subsídio de Natal deste ano.
No entanto, a data do protesto do ano passado foi decidida pela Intersindical, que a anunciou a 1 de outubro, no dia do seu 40ºaniversário, acabando a UGT por aderir posteriormente e ter sido feito um pré-aviso conjunto.
Desta vez a aproximação das centrais sindicais aconteceu depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter anunciado em meados de outubro um novo pacote de austeridade no âmbito do combate ao défice público, que consta do Orçamento do Estado para 2012 (OE2012).
Entre outras medidas, da proposta de OE2012 consta a suspensão do subsídio de férias e de Natal para os trabalhadores do setor público e reformados. O corte começa a aplicar-se a quem receba salários ou pensões acima de 485 euros. Neste caso, e até aos mil euros, o corte será progressivo, mas a partir de mil euros, é cortado o subsídio de férias e de Natal por inteiro.
O chefe do Governo anunciou também que o executivo vai reduzir o número de feriados e permitir que as empresas privadas aumentem o horário de trabalho em meia hora por dia, sem remuneração adicional.
Ao longo dos últimos 29 anos a CGTP fez seis greves gerais e a UGT duas.
A primeira greve da CGTP, a 12 de fevereiro de 1982, foi contra o pacote laboral que o governo AD tentou impor, retirando direitos aos trabalhadores.
Por isso, a CGTP pediu a demissão daquele Executivo. Na altura, a paralisação contou com a participação de 1,5 milhões de trabalhadores.
No mesmo ano, a 11 de maio, realizou-se outra greve geral pelo mesmo motivo, mas acrescentando o protesto contra a repressão policial que causou dezenas de feridos e 2 mortos no Porto, na véspera do 1.º de Maio.
O pacote laboral do Governo de Cavaco Silva deu o mote para a terceira greve geral em democracia, a 28 de março de 1988.
Esta greve foi realizada pelas duas centrais sindicais, embora convocada em separado porque as relações entre a CGTP e UGT não eram as melhores.
Para tentar impedir a aprovação do Código do Trabalho de Bagão Félix a CGTP promoveu uma nova greve geral a 10 de dezembro de 2002, que contou com a participação de 1,7 milhões de trabalhadores.
A quinta greve, a 30 de maio de 2007, foi de protesto contra a revisão do Código do trabalho feita pelo Governo PS, que a Inter considera ter agravado ainda mais a legislação laboral.
A primeira greve geral nacional realizou-se em Portugal em janeiro de 1912 em defesa de melhores salários.