Louçã critica economistas "fanáticos, delirantes e incompetentes"
Moita, 05 nov (Lusa) - O coordenador do BE, Francisco Louçã, afirmou na noite de sexta-feira que em todos os casos de países com problemas financeiros, como Portugal, "economistas incompetentes" acreditam que a solução da crise é provocar uma recessão.
"Em todos os casos temos um grupo de economistas fanáticos, delirantes e incompetentes, que acham que a solução para a crise é provocar uma recessão tão funda que torne possível baixar os salários. Segundo estes economistas, só há desemprego porque existem muitas pessoas a ganhar o ordenado mínimo com 485 euros", disse, durante um debate público, realizado na Moita.
Francisco Louçã defendeu que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, acredita que a razão da crise é os salários serem muito altos e não a diminuição das receitas fiscais.
"Passos Coelho acredita que a razão da crise é os salários serem muitos altos e não as receitas fiscais terem diminuído e de haverem perdas fiscais imensas. Os economistas que dizem isto só aplicaram esta solução no Chile, na altura de Pinochet, e agora acreditam que estas soluções, que falharam na América Latina, podem ser postas em prática na Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha ou Itália", afirmou.
O líder do Bloco de Esquerda referiu que no caso da Grécia existe uma aspeto que já era evidente há muito tempo, que "as soluções autoritárias, a `troika`, não resultam e só agravam os problemas", mas considerou que existe um dado novo.
"Existe algo que não era tão evidente e que agora surge que é uma crise grave do regime, pois uma parte do País não aceita ser governado por piratas. É um sinal para Portugal", considerou.
Francisco Louçã referiu que a Grécia tem agora uma particularidade, o que apelidou de "uma administração colonial".
A Grécia "tem uma particularidade, que é uma ameaça para Portugal, que é um Ministério residente da `troika`, em que todos os ministros gregos vão a despacho de vez em quando e isto originou uma indignação dos gregos, a que só podemos dar razão", disse.
Sobre a Itália e o pedido de monitorização das suas contas por parte do Fundo Monetário Internacional, Louçã considerou que é uma antecipação de um pedido de empréstimo.
"A Itália é um país especial, que tem um primeiro-ministro em `part-time`, mas é a quarta economia mais forte da Europa. Este pedido é uma antecipação da necessidade da Itália recorrer também a empréstimos, para os quais não há dinheiro, ou seja, a União Europeia está a cavar a sua própria sepultura, que é a de todos nós", concluiu.