Lucro da Galp dispara 41% para 272 milhões de euros no 1º trimestre

Lucro da Galp dispara 41% para 272 milhões de euros no 1º trimestre

A Galp fechou o primeiro trimestre do ano com um lucro ajustado de 272 milhões de euros, uma subida de 41% face ao período homólogo, sustentado pelo aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil.

Lusa /
Foto: António Antunes - RTP

 

Entre janeiro e março, o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) também cresceu 41% para 943 milhões de euros, face ao mesmo período de 2025, informou a petrolífera em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Cerca de 73% deste valor teve origem na unidade negócio de `upstream` - exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural - "cujo EBITDA aumentou 78%, beneficiando do efeito combinado de um incremento de 23% da produção de petróleo e gás natural com o aumento da cotação média do brent", detalha.

A petrolífera explica que este crescimento foi suportado pela entrada em produção do projeto Campo de Bacalhau, no Brsil, onde detém uma participação de 20%, tendo a produção média diária de petróleo e gás no primeiro trimestre de 2026 sido equivalente a 129 mil barris, contra 104 mil barris no trimestre homólogo. Já a cotação média do brent aumentou 7% para 81,1 dólares por barril.

"A Galp arrancou o ano de uma forma sólida, apesar do aumento da volatilidade dos mercados, e da incerteza global, graças à resiliência dos seus ativos e a uma disciplinada execução operacional", afirmou Maria João Carioca, co-CEO da Galp, citada em comunicado.

"Esta solidez permitiu-nos prosseguir o desenvolvimento dos nossos projetos, mas também assegurar o abastecimento energético do país em momentos críticos como as tempestades do início do ano ou a disrupção das cadeias de abastecimento com o bloqueio do estreito de Ormuz", acrescenta.

Sobre Sines, destaca que "a continuidade operacional e a fiabilidade da refinaria, em paragem programada durante 50 dias no trimestre anterior, a maior da sua história, permitiu à unidade de Industrial & Midstream [refinação, transporte e armazenamento de petróleo e gás] capturar o aumento das margens de refinação internacionais a partir de março, compensando o impacto do mau tempo que afetou o país nos dois meses anteriores e que limitou nesse período o aprovisionamento de crude por via marítima".

"Apesar de um aumento de 80% no trading de gás natural nos mercados internacionais, e da duplicação do impacto das exportações de produtos refinados -- sobretudo gasolinas -- o EBITDA desta unidade diminuiu 9% para 198 milhões de euros devido ao impacto contabilístico da subida dos preços dos produtos petrolíferos, que se reflete de imediato nos custos da unidade de Energy Management [que gere a venda do petróleo], mas é diferido no lado das vendas de produtos a clientes", explica.

Esse efeito, conhecido por time lag, teve um impacto negativo de cerca de 130 milhões de euros, fazendo com que o contributo das atividades no mercado nacional para o resultado líquido ajustado da Galp no trimestre fosse nulo. Foi a atividade internacional a assegurar a totalidade do EBITDA do grupo.

Os resultados líquidos segundo as normas contabilísticas internacionais (IFRS), que refletem o lucro contabilístico da empresa, "traduziram-se em perdas de 111 milhões devido à variação da valorização de instrumentos derivados para cobertura de risco", detalha.

Nas restantes áreas de operação, registou um aumento do EBITDA no segmento Comercial em 37% para 84 milhões milhões, impulsionado pelo segmento empresarial em Espanha, e nas Renováveis um incremento de vendas de energia de 21% devido ao aumento da capacidade instalada na Península Ibérica.

Até março, o investimento totalizou 201 milhões de euros, uma redução face aos 295 milhões registados no mesmo período de 2025, explicada pela diminuição das necessidades de capital dos projetos de `Upstream`, que ainda assim absorveram metade do investimento no trimestre.

"O investimento nos projetos industriais de produção de biocombustíveis avançados (SAF e HVO) e de hidrogénio verde em Sines -- ambos pioneiros a nível europeu -- aumentou 17% em termos homólogos, para 51 milhões de euros", acrescenta.

 

 

Tópicos
PUB