Lucros da petrolífera estatal moçambicana Petromoc triplicam para 4,5 ME em 2025
Os lucros da Petróleos de Moçambique (Petromoc) quase triplicaram em 2025, para 341,7 milhões de meticais (4,5 milhões de euros), apesar da redução das vendas da petrolífera estatal, indicam as demonstrações financeiras.
De acordo com o documento, a empresa fechou 2025 com um resultado líquido positivo de 341.729.832 meticais (4,5 milhões de euros), contra 127.076.705 meticais (1,7 milhões de euros) no ano anterior, enquanto as receitas caíram 10,4% no mesmo período, para 26.083 milhões de meticais (344,5 milhões de euros), refletindo sobretudo a diminuição das vendas de gasóleo, gasolina e gás condensado.
Apesar dessa redução, o resultado operacional da petrolífera, que assegura importação, distribuição e opera uma rede de retalho, aumentou de 893 milhões de meticais (11,8 milhões de euros) para 1.284 milhões de meticais (16,9 milhões de euros). A melhoria foi impulsionada pela rubrica de outros ganhos e perdas operacionais, que cresceu para 1.984 milhões de meticais (26,2 milhões de euros).
O relatório indica que a rubrica de reversões ascendeu a 2.061 milhões de meticais (27,2 milhões de euros), incluindo "de imparidades de clientes", no valor de 2.057.846.336 meticais (27,2 milhões de euros).
A empresa mantinha igualmente passivos relacionados com o Estado de 19.262 milhões de meticais (254,4 milhões de euros), incluindo 12.996 milhões de meticais (171,8 milhões de euros) em direitos aduaneiros e 4.434 milhões de meticais (58,6 milhões de euros) em imposto especial sobre combustíveis.
O relatório refere, na nota sobre continuidade das operações, a existência de uma "garantia disponibilizada pelo acionista maioritário [Estado] para permitir continuidade na importação de combustível, atividade `core`", bem como um "compromisso firme" no sentido "de continuar a suportar as suas operações e garantir a continuidade, atestado pela carta de conforto".
Em 2025, a Petromoc investiu 815,6 milhões de meticais (10,8 milhões de euros) em ativos tangíveis, com destaque para projetos de expansão e modernização dos terminais de combustíveis de Pemba, Matola e Nacala.
A petrolífera prevê ainda realizar em 2026 investimentos avaliados em 971 milhões de meticais (12,8 milhões de euros), incluindo construção e reabilitação de tanques, postos de abastecimento e outras infraestruturas, refere ainda o documento.
No relatório de auditoria às contas de 2025, a Ernst & Young (EY) manteve uma opinião com reservas e alertou que os capitais próprios da Petromoc permanecem abaixo de metade do capital social. O auditor identificou ainda diferenças materiais não reconciliadas relacionadas com depreciações acumuladas e do exercício, nos montantes de 2.916.353.708 meticais (38,5 milhões de euros) e 125.854.927 meticais (1,7 milhões de euros), respetivamente.
A EY assinala igualmente limitações na validação da responsabilidade da empresa com o fundo de pensões, registada em 451,4 milhões de meticais (6,0 milhões de euros), indicando não ter recebido demonstrações financeiras auditadas do fundo nem um estudo atuarial independente que suportasse a mensuração daquela responsabilidade.
O relatório refere que "não obstante a empresa apresentar capitais próprios positivos" em 31 de dezembro de 2025, estes estão "abaixo de metade do capital social".
As contas indicam que a Petromoc terminou 2025 com capitais próprios de 1.214 milhões de meticais (16,0 milhões de euros), acima dos 872 milhões de meticais (11,5 milhões de euros) registados no ano anterior, mas ainda muito abaixo do capital social de 8.300 milhões de meticais (109,6 milhões de euros).
A própria empresa reconhece na nota sobre continuidade das operações que os capitais próprios representam apenas 14,6% do capital social, acrescentando que o conselho de administração se encontra "a acompanhar esta situação e a avaliar a implementação de medidas adequadas ao reforço da estrutura de capitais".