Economia
Conversa Capital
Luís Amado em entrevista: Instabilidade política não vai abalar o país
Nesta entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros lembra que "a divida é a perda da liberdade, a perda da capacidade de controlo do destino e a total hipoteca aos credores". Por isso, Luís Amado considera que enquanto os mercados diferenciarem positivamente Portugal, até por comparação com o que se passa noutros países da Europa, a situação não é problemática.
Portugal, segundo Luís Amado, "estava numa situação excecional," mas ainda está numa situação de exceção "assim haja juízo e bom senso".
Luís Amado acrescenta que ter feito o trabalho de casa foi fundamental e terá frutos quando as regras do Pacto de Estabilidade se alterarem.
"Portugal não é um problema"
O antigo ministro lembra que as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento vão mudar e que praticamente metade dos países da zona euro está em défice excessivo, o que não acontece em Portugal. Isto significa que, ao contrário de outros, não será necessário aumentar impostos e até poderá ser possível assistir-se a um alívio fiscal desde que haja crescimento e uma política mais agressiva de corte de custos.
Luís Amado acredita que o PS tem condições para ganhar as eleições e, mesmo estando afastado da política, vê toda a situação que levou a eleições antecipadas como uma "precipitação".
Segundo o ex. ministro a partir do segundo semestre de 2024, as taxas de juro podem começar a descer. Considera que se não houver "nenhum cisne negro" e se os Estados Unidos continuarem a baixar as taxas de juro e os mercados a pressionar será "inevitável" e o Banco Central Europeu terá mesmo de começar a baixar a taxa de juro.
Luís Amado adianta que em termos gerais, na Europa, em 2024, haverá um crescimento débil e uma recessão técnica e, mais do que isso, um risco de estagnação prolongada em parte motivado pelo esforço de guerra. Acabou-se o "dividendo da paz", adianta.
Luís Amado diz que o mundo vive "a maior crise geopolítica de sempre", um momento "horrível" a que as lideranças mundiais conduziram e que só o dissuasor nuclear está a evitar uma guerra mundial.
Luís Amado diz que o mundo vive "a maior crise geopolítica de sempre", um momento "horrível" a que as lideranças mundiais conduziram e que só o dissuasor nuclear está a evitar uma guerra mundial.
Entrevista de Rosário Lira (Antena 1) e de Joana Almeida (Jornal de Negócios)