Luso venezuelanos impedidos de receber SMS com códigos de validação bancária e da Chave Móvel

Luso venezuelanos impedidos de receber SMS com códigos de validação bancária e da Chave Móvel

Luso venezuelanos queixaram-se hoje de estarem há várias semanas sem receber mensagens de texto (SMS) nos seus telemóveis com os códigos de validação, impossibilitando-os de aceder e realizar operações bancárias ou que requeiram autenticação via Chave Móvel.

Lusa /

A situação, segundo explicou à Lusa fonte do Conselho das Comunidades Portuguesas, está a criar constrangimentos aos clientes de bancos portugueses como o Millennium BCP e a Caixa Geral de Depósitos, impedindo-os inclusive de efetuar pagamentos de serviços, validar compras pela Internet e realizar transferências.

Questionada pela Lusa, a CGD confirmou a situação, declarando estar a desenvolver soluções alternativas ao envio de códigos via SMS para a realização de operações nos seus canais digitais na Venezuela, depois de vários clientes terem reportado dificuldades.

"As pessoas necessitam mobilizar o seu dinheiro, inclusive por motivos de saúde e por emergências, e lamentavelmente não o conseguem fazer (...) queixam-se de que não recebem a confirmação através do `token` SMS para poder validar as operações", disse o conselheiro, adiantando haver relatos de que "o acesso através da CaixaDireta está bloqueado e pessoas que nem sequem podem entrar na página web".

Na resposta à Lusa, fonte oficial da Caixa disse que o banco público tinha conhecimento das dificuldades reportadas por clientes na Venezuela, mas que as falhas são alheias ao banco e resultam de limitações de operadoras de telecomunicações locais.

Para contornar estas limitações, a CGD está agora a desenvolver soluções alternativas ao envio de códigos via SMS para acabar "com a dependência de operadoras de comunicação locais" na realização de operações na sua aplicação digital.

A mesma fonte avançou que, desde domingo, 24 de maio, que é possível realizar várias operações no Caixadirecta `online`, como transferências ou pagamentos de serviços, sem a utilização de SMS.

A autenticação de segurança das operações está, nestes casos, a ser feita através da própria aplicação digital (app) do banco, disse.

O conselheiro ouvido pela Lusa alertou que "as pessoas estão longe e entram logo em crise", apontando que "às vezes até querem apenas ver se o dinheiro delas está lá [na conta]" e que há quem precise das suas poupanças para coisas do dia-a-dia.

"Eu sou cliente do Millennium BCP e com os meus conhecimentos básicos de tecnologia vou conseguindo aceder, mas há pessoas de idade, que estão sozinhas, que, quando o acesso se bloqueia, ficam logo no ar", disse, precisando que usa um aparelho comprado em Portugal que lê o cartão bancário e gera um código.

O conselheiro disse ter recebido queixas de comerciantes portugueses na Venezuela e instou os bancos portugueses a "encontrarem soluções", sublinhando que "não é só captar clientes, depois há que dar-lhes a atenção necessária".

"Hoje em dia, com a situação que estamos a viver na Venezuela, muitos comerciantes têm que recorrer aos aforros que têm em Portugal, ao dinheiro que têm fora, para poder, muitas vezes, cobrir as despesas diárias de operatividade e encontram-se com dificuldades, porque não podem nem pagar essas despesas mínimas", explicou.

Quanto às dificuldades com a aplicação governamental Chave Móvel, explicou que na semana passada foi tema de conversa na reunião do Conselho das Comunidades Portuguesas na Venezuela, que teve lugar na cidade de Puerto Ordáz.

"Falamos em promover o uso da Chave Móvel, mas ela funciona com um código enviado por SMS que não chega ao telefone das pessoas, por problemas com a rede local de telefonia, e, assim, a aplicação é totalmente ineficiente. Há que buscar uma solução, provavelmente através de uma App que gere os códigos", disse.

Explicou que ele próprio tem conta em bancos de outros países do continente americano, que usam uma App Token que gera um código, sublinhando que os bancos portugueses têm de buscar rapidamente uma solução.

"A tecnologia muda constantemente e, por exemplo, os bancos deste lado do Atlântico, do Panamá, Estados Unidos, entre outros, já funcionam com tecnologias de `tokens` através de aplicações, que são muito mais fáceis de funcionar. Eu tenho conta no Panamá e uso a aplicação TrustTo, que gera um código que uso para validar as minhas operações, rapidamente, necessitando apenas de estar ligado à Internet", disse.

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