Macau aperta controlo a obras após incêndio em Hong Kong sem detetar violações
As inspeções a armazéns e estaleiros de obras dispararam no primeiro trimestre, na sequência do incêndio de novembro em Hong Kong, mas os bombeiros de Macau não encontraram qualquer violação da segurança.
Numa resposta escrita a questões colocadas pela Lusa, o Corpo de Bombeiros (CB) de Macau disse que realizou 1.275 vistorias entre janeiro e março, mais 80,9% do que no mesmo período de 2025.
O CB explicou que as inspeções no terreno em espaços industriais abrangeram "bocas-de-incêndio, instalações intermédias de armazenamento e estaleiro de construção".
Durante as vistorias, "não foram encontradas violações das leis de segurança contra incêndios e das leis relativas a produtos perigosos", referiram os bombeiros.
O CB confirmou que o aumento das inspeções a estaleiros de obras foi uma resposta ao incêndio que matou 168 pessoas em Tai Po, tornando-se o mais mortífero na região vizinha de Hong Kong desde 1948.
Os bombeiros sublinharam ainda que realizaram 2.839 vistorias de segurança contra incêndios em edifícios comunitários no primeiro trimestre, tendo aberto 40 processos, com outros 28 ainda em investigação.
Estes 68 casos envolveram principalmente a colocação indevida de objetos, incluindo motociclos, em corredores de evacuação, e a maioria foi resolvida após advertências verbais, disse o CB.
Uma comissão independente de investigação iniciou em março, em Hong Kong as audiências sobre o incêndio, que começou a 26 de novembro, e devastou o complexo de habitação social de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas.
O advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes.
As sete torres devastadas pelo incêndio estavam em obras e cobertas por andaimes de bambu, redes de proteção não resistentes ao fogo e painéis de espuma, que podem ter contribuído para a rápida propagação do incêndio.
A polícia e a agência anticorrupção de Hong Kong acusaram na quarta-feira sete pessoas e duas empresas de 25 crimes ligados ao incêndio, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude e branqueamento de capitais.
Em 19 de maio, o Governo de Hong Kong enviou para o parlamento uma proposta que impõe multas de três milhões de dólares de Hong Kong (329.200 euros) e uma pena máxima de seis meses de prisão para quem fumar em estaleiros.
No final de março, nove associações da construção civil de Hong Kong assinaram um compromisso para impor a proibição total de fumar em estaleiros de obras.
Lawrence Ng San-wa, presidente de um dos grupos, a Associação de Subempreiteiros da Construção de Hong Kong, disse esperar que este "compromisso público" reforce "a confiança do público" no setor.