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Magalhães peça a peça

Magalhães peça a peça

Porto, 25 Set (Lusa) - Portugal, Noruega, Finlândia, Alemanha, Estados Unidos, Coreia do Sul, China e Taiwan são os países de criação e fabrico das peças e programas do computador portátil "Magalhães", que começa sexta-feira a ser comercializado.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O novo pequeno portátil é baseado na segunda versão do "Classmate", computador desenvolvido pela norte-americana Intel, que fornece também o processador (Intel Celeron 900MHz) e a placa gráfica (Intel Graphics Media Accelerator 915).

O "Magalhães" está a ser montado integralmente em Portugal, na fábrica de Perafita, Matosinhos, da JP Sá Couto, empresa que fabrica produtos informáticos para várias marcas e que já há vários anos detém uma marca própria de computadores, "Tsunami".

"Nunca escondemos que o `Magalhães` é baseado numa plataforma da Intel, que lá fora se chama `Classmate` e foi desenvolvida com determinadas características, extremamente limitadas e rudimentares, para países emergentes", afirmou um dos sócios da empresa, Jorge Sá Couto, em entrevista à agência Lusa em Agosto.

O empresário referiu que o `Magalhães` foi desenvolvido há mais de um ano pela JP Sá Couto e pelo parceiro Elitegroup Computer Systems (ECS), "com características especiais e para mercados maduros".

O ECS é um grupo de Taiwan especializado na concepção e fabrico de "motherboards" (placas-mãe) para computadores.

O primeiro lote de "Magalhães", que começou terça-feira a ser distribuído nas escolas do primeiro ciclo, tem várias peças "made in Taiwan", entre as quais a placa de memória RAM, de um gigabite, o ecrã LCD TFT 8,9`` WSVGA (resolução máxima 1024x600) e as baterias de iões de lítio com quatro células cada.

Estas baterias (uma das quais sobressalente) foram fabricadas pela empresa Gallopwire, de Taiwan, e montadas na China.

O disco duro do "Magalhães", de 30 gigabites, foi fabricado na Coreia do Sul pela Samsung.

Os programas informáticos incluídos nos primeiros "Magalhães" entregues ao abrigo do programa "e-escolinhas" têm também origens diversas.

O pequeno portátil vem equipado com dois sistemas operativos (cabe ao utilizador escolher o que quer), o Windows XP Home, da norte-americana Microsoft, e o Linux Caixa Mágica 12 Mag, desenvolvido em open-source (código-fonte aberto) a partir do sistema operativo criado pelo finlandês Linus Torvalds.

Os programas principais do ambiente de trabalho tradicional são os da Microsoft (Office, Media Player, Photo Story, Popfly e Virtual Earth) e do Linux (OpenOffice).

Este ambiente inclui muitos outros programas, como o Adobe Reader 9, QuickTime e Outlook Express, além de conteúdos multimédia desenvolvidos em Portugal pela Porto Editora, a Diciopédia, Escola Virtual e os jogos didácticos "Zito, o mosquito" e "Guida, a margarida".

O "Magalhães" vem com um ambiente de trabalho alternativo, adequado às crianças mais pequenas, o "Magic Desktop", desenvolvido pela empresa norueguesa EasyBits.

É também da EasyBits a protecção de segurança e o canal de notícias para crianças do "desktop" alternativo.

A protecção de segurança nos acessos à Internet (anti-vírus, anti-spam e firewall) é assegurada pelo Kaspersky Internet Security 7, da empresa portuguesa iPortalMais, com sede no Porto.

Também "made in Portugal" é a embalagem de cartão do "Magalhães", fabricada na Micropack, em Santa Maria de Lamas.

Para o futuro, os sócios da JP Sá Couto pretendem introduzir mais peças feitas em Portugal, mas alertam que, para serem competitivos, têm de comprar a quem faz mais barato, independentemente do país.

"Vamos inserir o maior número de componentes possíveis fabricados em Portugal, mas não conheço nenhum caso em que tudo seja produzido de raiz em Portugal. Mesmo no ramo automóvel, os componentes vêm de muitos locais, como é o caso da Auto Europa", disse Jorge Sá Couto.

FZ/PD.

Lusa/Fim


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