Mais de cem economistas pedem aos EUA e FMI levantamento de sanções

Mais de cem economistas pedem aos EUA e FMI levantamento de sanções

Mais de 100 economistas e académicos apelaram ao Governo dos EUA para que levante as sanções económicas contra a Venezuela e solicitaram ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que facilite o acesso do país a mecanismos financeiros internacionais.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Reuters

Numa carta dirigida à Administração norte-americana e ao FMI, os signatários solicitaram a retirada das restrições que afetam o Banco Central da Venezuela (BCV), a petrolífera estatal PDVSA e outras instituições, e que seja permitido ao país o acesso a recursos internacionais destinados à resposta humanitária, à reconstrução e a fazer face à emergência provocada pelos terramotos registados em junho.

"Neste momento de emergência, as sanções não só são contraproducentes, como impedem que os recursos necessários cheguem àqueles que mais precisam deles", salienta a carta assinada por 113 académicos.

Entre os signatários constam o economista norte-americano Jeffrey Sachs, professor da Universidade de Columbia; Isabella Weber, economista da Universidade de Massachusetts Amherst; e Andrés Arauz, investigador do Centro de Investigação Económica e Política (CEPR).

"O FMI deve garantir que a Venezuela tenha acesso aos recursos necessários para a reconstrução e a recuperação económica", indica o documento, que também apela à revisão das restrições que afetam a participação do país nos mecanismos da instituição.

Os signatários defendem que, perante uma emergência desta magnitude, as medidas económicas restritivas devem ser revistas para facilitar a assistência e a reconstrução.

O apelo surge, além disso, num momento de mudanças na relação entre a Venezuela e o FMI, depois de a organização ter anunciado o reatamento dos contactos com Caracas, após anos de interrupção.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que abalaram a região norte da Venezuela na quarta-feira, 24 de junho, causaram danos consideráveis em habitações, ativos económicos, comércios e outros tipos de construções, bem como vítimas mortais cujo número continua a ser contabilizado à medida que avançam os trabalhos de resgate e remoção de escombros.

O número de vítimas mortais aumentou, no último balanço, para 3.685 mortos e 16.740 feridos, a grande maioria no estado de La Guaira, o mais devastado do país. O número de desaparecidos é ainda indeterminado.

O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo aumentou para 100, registando-se ainda 59 cidadãos desaparecidos ou incontactáveis, segundo o ministério português dos Negócios Estrangeiros esta terça-feira.

Os Estados Unidos mantêm há anos um amplo regime de sanções contra a Venezuela, que afeta setores estratégicos como o petrolífero e limita determinadas operações financeiras.

A carta solicita também ao FMI que facilite o acesso a instrumentos de emergência para apoiar a recuperação do país.

Os economistas defendem que o levantamento dessas restrições permitirá ao país dispor de mais recursos para fazer face à crise, uma posição que Washington ainda não apoiou.

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