Manuela Ferreira Leite contesta análise do Tribunal de Contas

Manuela Ferreira Leite contesta análise do Tribunal de Contas

A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite considerou hoje "absolutamente extraordinário" que se faça uma análise do impacto da transferência dos fundos de pensões de empresas públicas para a Caixa Geral de Aposentações (CGA) quando se trata do mesmo sector.

Agência LUSA /

Reagindo ao relatório do Tribunal de Contas que refere uma subavaliação dos encargos com os fundos de pensões de empresas públicas transferidos para a CGA, Manuela Ferreira Leite disse à agência Lusa que não se pode falar de impacto negativo nas contas públicas numa operação "neutra" que decorre dentro do mesmo sector e não entre dois universos diferentes.

Frisando que apenas conhece o que vem escrito na imprensa de hoje, a ex-ministra das Finanças do Governo de Durão Barroso disse à Lusa que as muitas dúvidas com que ficou só serão esclarecidas quando ler o relatório, mas frisou que, a ser como foi transcrita, a análise "não tem sentido do ponto de vista técnico".

Segundo o relatório, se as transferências dos fundos de pensões realizadas em 2003 e 2004 tiveram um efeito positivo sobre as receitas do Estado no ano em que ocorreram o mesmo já não acontece nos anos posteriores, "uma vez que as receitas não serão suficientes para suportar o valor das despesas".

Para Ferreira Leite, esta afirmação é "absolutamente extraordinária", até porque, disse, é "bastante lógico que todos os funcionários tenham o mesmo fundo de pensões".

Por outro lado, a ex-ministra quer saber se na avaliação está incluído o fundo de pensões do Banco Nacional Ultramarino (BNU) transferido para a CGA quando Sousa Franco era ministro das Finanças do Governo de António Guterres, recordando que foi ele que iniciou a transferência de fundos de pensões.

Manuela Ferreira Leite disse ainda à Lusa que a referência à transferência do fundo de pensões dos CTT "é um erro técnico".

"Se é o que está lá é lastimável", afirmou, sublinhando que a operação realizada na altura foi uma entrada de dinheiro com uma reserva de capital que os CTT tinham.

Segundo disse, na altura o Eurostat não aceitava a transferência de fundos de pensões "e aceitou a operação dos CTT".

As transferências de fundos de pensões visaram gerar receitas extraordinárias para cumprir os limites impostos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento para o défice orçamental (3 por cento do PIB) e Ferreira Leite sublinhou que, se não fosse assim, Portugal perderia o acesso aos fundos estruturais.

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