Mau tempo. Região de Leiria diz que relatório da Presidência deve ser base para aprendizagem
O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria afirmou hoje que o relatório da Presidência Aberta sobre o mau tempo que atingiu o país no início do ano deve servir de base para aprendizagem.
"Entendemos que este documento deve servir de base para uma aprendizagem, eu relembro que vivemos durante vários dias sem comunicações e sem energia elétrica", disse à agência Lusa Jorge Vala, recordando que, para comunicar com os restantes nove municípios para "marcar a primeira reunião", teve de "enviar um emissário".
Saudando "a forma objetiva como identifica alguns constrangimentos" e relevando "a importância de apontar algumas soluções", Jorge Vala, também presidente da Câmara de Porto de Mós, assinalou ainda o facto de o relatório -- "um bom documento" - ter sido feito num curto período.
"Só não identifica, de uma forma mais completa, a inutilidade de algumas entidades, que achamos que são redundantes e inúteis, como é o caso da AGIF [Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais], por exemplo", declarou, considerando ser necessário fazer "um exercício sobre a utilidade de algumas das entidades que estão associadas" à questão da floresta e também a outras situações.
Além de Porto de Mós, a CIM, território gravemente afetado pela depressão Kristin, em 28 de janeiro, integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande e Pombal.
O Presidente da República considerou que as consequências do mau tempo que atingiu o país no início do ano exigem que "se acelerem apoios, se clarifiquem medidas" e se melhore a coordenação entre entidades no terreno.
No relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 06 e 10 de abril às zonas afetadas pelas tempestades - hoje divulgado pelo jornal Público e a que Lusa teve acesso -, o chefe de Estado avisou, na introdução, que "para muitas famílias, empresas e comunidades, esta crise ainda não terminou".
"As consequências desta crise persistem e continuarão a persistir ao longo do tempo. E também por isso deve continuar a vigilância sobre os apoios, sobre a reconstrução e sobre a capacidade do país, e em particular do Estado, para retirar deste episódio as conclusões e as lições necessárias", disse.
Ao longo da Presidência Aberta, as preocupações identificadas foram "a lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de maior risco em condições mais seguras do que aquelas em que saiu do inverno".
A existência de riscos acrescidos de incêndio nas zonas afetadas pela depressão Kristin é uma das conclusões do documento.
Para Jorge Vala, o relatório "deve ser o ponto de partida para se tirarem as ilações daquilo que aconteceu", realçando ser "importante que exista uma profissionalização da resposta de urgência neste tipo de acontecimentos".
Por outro lado, assinalou que o "PTRR está aí precisamente para o reforço de investimentos, quer na resiliência, quer na transformação, em conjunto com todos os atores do país".
O PTRR -Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência é um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões do país entre 28 janeiro e 15 de fevereiro, e que visa preparar o país "para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo, segundo o Governo.
À pergunta se considera o documento um recado para o Governo, Jorge Vala referiu não entender este "como um relatório político".
"É um relatório que tem, na sua base, a constatação de factos e depois, naturalmente, que diz ao Governo e aos vários atores que é fundamental aprendermos com o que aconteceu de pior e não nos voltar a acontecer desta forma", declarou.
Certo de que este tipo de fenómenos climatéricos vai repetir-se, o presidente da CIM salientou a importância da preparação.
"Temos de aprender com os erros e, sobretudo, temos de nos sentar sobre eles em vez de andarmos aqui agora a passar culpas", sustentou o autarca.
Segundo Jorge Vala, é fundamental que todos façam "um exercício daquilo que é necessário aligeirar", porque não vale a pena criar "camadas de novos serviços para colocarem burocracia no processo", considerando que a resposta a situações idênticas exige um processo ágil, para resultar em respostas eficazes para a população.
"Esse é o nosso objetivo, o nosso propósito, e penso que é também o propósito deste relatório", acrescentou o autarca.