Moçambique gastou menos 1,4% na importação de combustiveis no primeiro trimestre

Moçambique gastou menos 1,4% na importação de combustiveis no primeiro trimestre

A fatura de Moçambique de importação de combustíveis recuou 1,4% no primeiro trimestre de 2026, para 236,4 milhões de dólares (203,5 milhões de euros), período já marcado por dificuldades de abastecimento e escassez de divisas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Lusa

Dados estatísticos do Banco de Moçambique compilados hoje pela Lusa indicam que o custo com a importação de combustíveis entre janeiro e março representou quase metade dos 517 milhões de dólares (445 milhões de euros) gastos pelo país na compra de bens intermédios ao exterior nesse período.

As importações de combustíveis tinham totalizado 239,6 milhões de dólares (206,3 milhões de euros) no primeiros três meses de 2025, segundo o banco central.

O gasóleo continua a representar a maior parcela da fatura energética nacional, com importações avaliadas em 164,9 milhões de dólares (142 milhões de euros), seguido da gasolina, com 56,4 milhões de dólares (48,6 milhões de euros), e do combustível de aviação (`jet fuel`), com 15,2 milhões de dólares (13,1 milhões de euros).

A redução destas importações aconteceu no início dos constrangimentos no abastecimento de combustíveis em diferentes regiões do país, associados ao conflito no Médio oriente.

Depois, em abril e maio, registaram-se longas filas nos postos de abastecimento, encerramento temporário de algumas bombas e dificuldades no fornecimento que afetaram transportadores, empresas e consumidores, problemas então associados ao conflito na região.

O Governo moçambicano disse na terça-feira estar a analisar as causas da nova vaga de escassez de combustíveis em várias zonas do país, após semanas de relativa normalização do abastecimento que se seguiu à crise em abril e maio.

"Ainda está-se a fazer uma análise para perceber o que é que está a passar efetivamente para que se esteja a vivenciar, aparentemente, ou esteja, pelo menos, a iniciar uma segunda vaga de escassez", disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da reunião do executivo, em Maputo.

Questionado pelos jornalistas, o porta-voz admitiu que o executivo tem conhecimento da situação, que voltou a ser registada desde o último fim de semana, com postos encerrados sem combustível e filas para o abastecimento nas que funcionam, assegurando que o Governo está a recolher informação para apurar as causas do problema.

O regresso de longas filas em alguns postos de abastecimento sente-se há vários dias, nomeadamente na cidade da Matola, província de Maputo, e na capital, depois de um período de acalmia na sequência da anterior crise.

Em março, o Governo explicou que cerca de 80% dos combustíveis importados por Moçambique tinham origem no Médio oriente e transitavam pelo estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e derivados a nível mundial. Paralelamente, o banco central tem admitido que algumas empresas do setor de combustíveis, por falta de condições financeiras, apresentam dificuldades no acesso a divisas para a sua importação.

No final da última reunião da Comissão de Política Monetária, em 29 de julho, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou que o mercado cambial registo no primeiro semestre "maior fluidez, sustentada pela indústria extrativa, com elevados níveis de compras e vendas de divisas".

"No mesmo período, as vendas de divisas pelos bancos aos seus clientes aumentaram em 356 milhões de dólares [308,5 milhões de euros], para um total de 4,16 mil milhões de dólares [3.605 milhões de euros], tendo o sector de combustíveis absorvido 50% das divisas vendidas aos maiores compradores no mercado cambial", disse Zandamela.

O Governo decidiu em 07 de maio aumentar os preços dos combustíveis, com o litro de gasóleo a subir 45,5% e o da gasolina 12,1%, justificando a medida com os efeitos do conflito nos mercados internacionais de energia.

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