Economia
Montenegro defende menos rigidez nas relações laborais para maior crescimento da economia
O primeiro-ministro defendeu, esta quinta-feira, que Portugal precisa de menos rigidez nas relações laborais para garantir um maior crescimento económico.
No âmbito das "Conversas com Fomento", que decorrem no pavilhão Carlos Neto, em Leiria, Luís Montenegro apresentou dados da OCDE para defender este caminho, afirmando que Portugal é o 38.º em 39 dos países analisados da OCDE em termos de rigidez das relações laborais.
“Aquilo que temos de pensar é se nos conformamos com isso e se vamos ficar mais ou menos circunscritos a crescer 1,5, 1,6 ou 2%, nos anos mais excecionais 2,2 ou 2,3%, ou se queremos dar o salto como fazem outros países", disse.Segundo Montenegro, é preciso atentar para o "nível de rigidez" desses países que "estão a crescer 3,5 ou 4% ao ano", "fomentando com isso muito melhores condições para pagar melhores salários" e "para as empresas renovarem o seu investimento, inovando mais e levando por diante os seus modelos de conquista e de incremento do mercado".
O chefe do executivo sublinhou que "Portugal é um país que quer ver as suas relações laborais como geradoras ainda de maior dinamismo económico", "sem colocar em causa o equilíbrio da relação trabalhador-empregador, os direitos fundamentais dos trabalhadores e as regras de dinamização das relações laborais".
Para Luís Montenegro, são "um fator predominante para a cota-parte do investimento que não é assim tão certo possa ser atraído ou possa ser realizado".
"Dir-me-ão que há muitos investimentos que não têm precisado disso. É verdade, mas há muitos outros que não viram a luz do dia, não chegaram efetivamente à realidade, porque esse fator acabou por pesar. É esse o espírito para podermos também dessa maneira ser uma referência", reforçou.
Considerando que Portugal tem "muita vontade empreendedora nos seus empresários" e está "empenhado nos grandes projetos europeus de reforço da competitividade", o primeiro-ministro adiantou que a "grande maioria do capital está empenhado nos mercados de capitais externos, em particular no americano, a financiar muito mais a economia do lado de lá do que aquilo que podia fazer de lado cá do Atlântico".
Montenegro defende, por isso, que é preciso ultrapassar essa “areia na engrenagem” e “deixarmos de olhar tanto para nós, só para nós, e olharmos mais de uma forma consistente e coletiva”, de forma a sermos “um bloco comercial verdadeiramente competitivo à escala internacional".
O chefe do executivo destacou que Portugal "está no radar dos sítios mais atrativos" e "seguros para investir", mas advertiu que "estar no radar não é tudo, não é o fim de linha, mas é um meio indispensável para poder tirar partido generalizado das condições de base".
Luís Montenegro garantiu que o Governo não faz política para "entrar no radar", mas pretende "estar no radar para transformar isso depois em investimento concreto na realidade do país".
O governante destacou ainda que a "localização estratégia aos olhos dos desafios de hoje, é ainda mais estratégica".
c/Lusa