Montenegro "desautorizou ministra do Trabalho". Ventura diz que ministra admitia rever idade da reforma para trabalhadores por turnos
"O primeiro-ministro desautorizou a ministra do Trabalho e disse que, afinal, aquilo que se tinha dito ao Chega já não podia ser feito".
O líder do Chega disse hoje que a ministra do Trabalho admitiu uma eventual descida da idade da reforma para trabalhadores por turnos, e alegou que o primeiro-ministro "desautorizou" Maria do Rosário Palma Ramalho.
Em entrevista à CMTV, André Ventura disse que, antes do `chumbo` da proposta do Governo para rever a lei laboral (com voto contra do Chega), além das reuniões entre as lideranças dos partidos, houve também negociações "ao nível técnico normativo, entre delegações" das duas partes.
"A senhora ministra do Trabalho - acho que não cometo nenhuma inconfidência, aliás foi uma das razões pela qual a negociação avançou - assumiu que, entre as várias coisas que estava a negociar com o Chega, havia a descida da idade da reforma para os 65 anos ou 40 de descontos para os trabalhadores por turnos, que tivessem uma longa carreira contributiva por turnos. Isto foi dito pela ministra do Trabalho", afirmou.
Segundo o presidente do Chega, "depois o primeiro-ministro desautorizou a ministra do Trabalho e disse que, afinal, aquilo que se tinha dito ao Chega já não podia ser feito".
"Quando um partido diz que são temas fundamentais acabar com subvenções vitalícias, regular a questão da amamentação, voltar atrás naquilo que o Governo queria fazer, a questão da idade da reforma, e o Governo te diz `sim senhor, então vamos avançar e vamos trabalhar por aí`, mas depois, 24 horas antes, te dizem que, afinal, já não podem ir por aí, e o primeiro-ministro contradiz a ministra do Trabalho, então isto também não é muito sério numa negociação", alegou.
André Ventura indicou que "só" na quinta-feira à noite, na véspera da votação, é que o primeiro-ministro "assumiu que afinal não quer mexer na idade da reforma", que era uma das principias exigências do Chega para viabilizar a proposta de lei.
Ventura afirmou que "o Governo não se quis comprometer" e concluiu que isso significa que "estava a contar na especialidade dar o bailinho da Madeira" ao Chega.
Sobre o facto de a sua bancada ter votado ao lado da esquerda, o líder justificou que "o Chega não se norteia pela esquerda ou pela direita, o Chega norteia-se pelo que é melhor para a população, pelo que é melhor para quem trabalha, pelo que é melhor para quem investe, pelo que é melhor para a economia".
O presidente do Chega lembrou igualmente que o partido agendou para 03 de julho a discussão do seu projeto sobre as condições de acesso à reforma - que o partido propõe que seja aos 65 anos ou com 40 de descontos - e que visa estabelecer um texto máximo de 4.500 euros para as pensões mais altas.
André Ventura indicou que o partido vai voltar a insistir no assunto porque que esta "é uma questão fundamental para o futuro do país".
Questionado sobre o Orçamento do Estado para o próximo ano, o presidente do Chega não se quis comprometer e disse ainda não conhecer o documento.
Questionado diretamente se a descida da idade da reforma será uma linha vermelha para o Chega eventualmente viabilizar o documento, respondeu: "Estamos muito longe do Orçamento do Estado" e remeteu a questão para mais tarde.
"O Chega não quer eleições. O Chega quer transformar o país, mas não aceita ser muleta de ninguém", salientou.
Ventura disse ainda acreditar que o documento terá apoio do PS: "Não tenham medo que o PS, num último momento, vai fazer um cálculo qualquer".