Montenegro lamenta que Chega se tenha juntado à esquerda para chumbar pacote laboral

Montenegro lamenta que Chega se tenha juntado à esquerda para chumbar pacote laboral

O chefe de Governo disse que as negociações com o Chega permitiram vislumbrar um entendimento e lamentou que o partido de André Ventura se tenha juntado à esquerda para chumbar a reforma laboral.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Olivier Matthys - Reuters

O primeiro-ministro já reagiu ao chumbo da reforma laboral, assegurando que “o Governo não vai desistir de dar a Portugal condições para que o país seja mais competitivo, seja mais produtivo e, por via disso, se possam gerar mais oportunidades de emprego e pagar melhores salários”.

“Esse objetivo é central e vai permanecer intacto nas políticas e nas propostas do Governo”, vincou.

“Não posso deixar, obviamente, de lamentar que quer à esquerda, quer à direita, este sentido estratégico e de futuro não tenha tido acolhimento e, pelo contrário, os dois extremos do espectro político português se tenham juntado praticamente usando os mesmos argumentos”.

Luís Montenegro sublinhou que o processo negocial com o Chega anteriormente à votação foi “profundo e sério” e que “na grande maioria das matérias vislumbrava-se um entendimento relativamente fácil de alcançar”.

“Sucede que uma condição imposta por esse partido para viabilizar o global das alterações que eram propostas era mexermos na sustentabilidade da Segurança Social e na possibilidade não fundamentada de alterar a idade da reforma”, explicou.

O primeiro-ministro recusou essa condição. “As pensões são sagradas e jamais tomarei qualquer medida que possa prejudicar no futuro o pagamento das pensões”, declarou aos jornalistas.

“Aconteceu no Parlamento o que já tinha acontecido na Concertação Social: chegámos a entendimento sobre quase tudo (…) e por razões políticas, de posicionamento, não foi possível” chegar a um acordo, explicou.

Luís Montenegro garantiu ainda que mantém “confiança absoluta” na ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, já que esta “mais não fez do que apresentar a posição do Governo”.

“A confiança é uma questão que nem sequer se coloca”, assegurou.

O primeiro-ministro disse que não lhe cabe ficar desiludido com partidos políticos, cabendo sim “aos portugueses apreciarem e ficarem satisfeitos ou insatisfeitos com as posições de cada um”.

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