Não é possível reduzir a inflação sem dor: é preciso dificultar o acesso ao crédito e incentivar a poupança

Não é possível reduzir a inflação sem dor: é preciso dificultar o acesso ao crédito e incentivar a poupança

O presidente da UTAO - Unidade Técnica de Apoio Orçamental - considera que não é possível reduzir a inflação "sem dor e sem perda de felicidade".

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Foto: Antena1

Em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, Rui Baleiras lembra que só é possível controlar a inflação aumentando o custo do crédito e tornando a poupança atrativa, e isso vai ter um custo. Até porque é uma ilusão pensar-se que pode haver uma ajuda às empresas e às famílias que compense na totalidade a inflação.

Rui Baleiras admite que os bancos deveriam estar a remunerar melhor os depósitos, mas como têm liquidez suficiente, não têm interesse em fazê-lo. Assim sendo, defende que devia ser a autoridade monetária (BCE) a estimular a banca comercial, alterando o rácio entre os créditos concedidos e os depósitos obtidos.

No entender do presidente da UTAO, as medidas de apoio à economia devem sempre ter a forma de ajuda direta dirigida às famílias mais necessitadas, por oposição à subsidiação ou limitação de preços. Neste âmbito, concorda com a decisão do governo de entregar às famílias carenciadas um novo cheque de 250 euros.

Rui Baleiras espera que, ao apresentar os números de 2022, com maior crescimento do que o previsto e menos défice, o governo em vez de optar pelo "brilharete orçamental", aproveite para apoiar os rendimentos das famílias mais carenciadas, pagar a divida dos hospitais e da TAP.

Ainda relativamente à TAP, lamenta que não se saiba se há ou não um plano de contingência para compensar os problemas da companhia aérea em relação aos efeitos da crise, até porque o plano de restruturação continua a não ser publico, em muito itens, que correspondem a números que era relevante conhecer.

Entrevista conduzida pelos jornalistas Rosário Lira, da Antena1 e Susana Paula do Jornal de Negócios.
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