Necessidade de controlo explica evolução dos apoios à reconstrução de casas diz PM
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reconheceu hoje que a evolução da reconstrução de casas danificadas pelo mau tempo não tem sido a desejada, justificando com a necessidade de controlo dos apoios.
"No que diz respeito à situação criada em muitas famílias, nomeadamente a propósito das suas habitações, a evolução não tem sido aquela que nós desejávamos, por vicissitudes que agora aqui não é o mais importante, mas tem a ver com a necessidade de termos um controlo sobre o nível dos apoios que estamos a dar", afirmou Luís Montenegro, em Leiria.
Na abertura da 3.ª edição das "Conversas com Fomento", organizada pelo Banco Português do Fomento, onde vai estar, no encerramento, o Presidente da República, António José Seguro, o chefe do executivo destacou que, no caso das empresas, se está "praticamente na plenitude da concretização e realização das iniciativas" propostas.
No dia em que passam precisamente quatro meses sobre a depressão Kristin, que atingiu gravemente o concelho de Leiria e perante cerca de 1.200 pessoas, sobretudo empresários, o chefe do executivo adiantou que, "no que diz respeito às respostas da administração", como isenção de pagamentos à Segurança Social, `lay-off` simplificado e incentivo financeiro ao pagamento de salários, "a capacidade de resposta está praticamente acima de 90%".
"E nas linhas de crédito isso aconteceu também, em paralelo com as moratórias que estiveram em vigor, primeiro por 90 dias e agora com mais um ano de execução, e em simultâneo com todas as medidas que são dirigidas diretamente às famílias que tiveram prejuízos decorrentes dos comboios de tempestades e em particular da depressão Kristin", afiançou.
No discurso, o primeiro-ministro instou o Banco Português de Fomento, que disponibilizou linhas para a tesouraria e recuperação de empresas na sequência do mau tempo, "a continuar esta capacidade de resposta, a ser rápido na criação dos instrumentos e rápido a dinamizá-los e a materializá-los, porque em tudo a rapidez é um fator determinante, na atividade económica por maioria de razão".
O chefe de Governo, que depois de discursar se ausentou da sessão para a habitual reunião semanal com o Presidente da República, hoje em Leiria, realçou ainda a importância do PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões do país entre 28 janeiro (depressão Kristin) e 15 de fevereiro, e que visa preparar o país para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo.
Luís Montenegro desejou que o país possa "sair deste conjunto de eventos climáticos extremos, não só com a capacidade de retomar, de repor aquilo que era a situação, mas de aproveitar para transformar" as empresas, o tecido social, assim como "os serviços públicos de apoio às pessoas e às famílias e às empresas", tornando-os "mais robustos, mais resistentes, mais aptos a poderem enfrentar" situações futuras idênticas.
"E que possamos aproveitar o grande investimento que vamos fazer - só no PTRR são 22.600 milhões de euros - para sermos ainda mais eficientes do ponto de vista económico, para sermos ainda mais competitivos e para sermos ainda mais produtivos", acrescentou.