Economia
Nicolau Santos duvida que governo mude de rumo após apelo dos patrões
O comentador da Antena1 de assuntos económicos Nicolau Santos duvida que o governo inverta a sua política, depois de as confederações da agricultura, comércio, turismo e indústria se terem juntado para exigir uma descida generalizada de impostos.
Foto: Tiago Petinga/Lusa
O diretor-adjunto do semanário Expresso considera que a posição assumida pelos patrões “é a crítica mais dura que é feita à política seguida pelo governo”, porque “as associações patronais seriam supostamente os principais beneficiários da política de ajustamento que tem sido posta em prática”, as relações patronais “estão mais desequilibradas em favor dos patrões” e o “aumento do desemprego levou a uma descida dos custos laborais para as empresas”.
“No essencial, as associações patronais deveriam ser as primeiras a estar contentes com a política que tem vindo a ser seguida pelo governo e que foi acordada mais ou menos com a ‘troika’”, mas não estão satisfeitas “porque esta política tem levado a um afundar completo da economia interna, devido ao aumento brutal da carga fiscal, a uma desvalorização completa da concertação social”.
Ouvido pela jornalista da Antena1 Maria de São José, Nicolau Santos regista “uma predominância clara do Ministério das Finanças sobre todas as outras áreas do governo em matéria de distinção de política de rendimentos e sobre a própria concertação social”.
A declaração conjunta dos patrões esta manhã “é uma grande pressão para o governo, porque não são os sindicatos, mas as associações patronais que dizem que a política de austeridade falhou e é preciso dar estímulos às famílias e às empresas”.
Nicolau Santos recorda ainda que está em cima da mesa “um novo e brutal corte da despesa pública de 4800 milhões de euros, que vai ter efeitos recessivos” e na atual situação do país vai levar a um afundamento da economia.