Nova apreciação da moeda japonesa reforça especulação sobre intervenção
Uma nova e brusca valorização do iene este sábado, situando a moeda japonesa na faixa média das 157 unidades por dólar um dia após outra subida repentina, desencadeou especulações entre especialistas e analistas sobre uma possível intervenção.
Às 11:30, hora local (02:30 TMG), o iene era negociado a cerca de 157,65 unidades por dólar, em comparação com as mais de 160 unidades a que cotava na véspera, dia em que registou uma rápida valorização e reverteu as quedas das últimas semanas, que tinham enfraquecido a moeda até às 163 unidades por dólar.
Esta segunda recuperação consecutiva, depois de o Banco do Japão (BoJ) ter mantido as taxas de juro de referência de curto prazo fixadas em 1%, reforçou as suspeitas de que Tóquio terá levado a cabo uma intervenção cambial.
A ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, recusou-se a comentar na sexta-feira se as autoridades japonesas chegaram a intervir. "Agimos sempre com vigilância", afirmou à imprensa.
Segundo o jornal económico Nikkei, o Governo japonês e o BoJ poderão ter intervindo, comprando ienes e vendendo dólares, ao mesmo tempo que as autoridades monetárias norte-americanas terão procedido a uma verificação das taxas de juro, o que é considerado um passo preparatório para uma manobra deste tipo.
O diretor de estratégia de mercado da Bannockburn Capital Markets, Marc Chandler, afirmou numa análise citada pela agência EFE que "aparentemente, as autoridades japonesas intervieram no mercado cambial" e estimou o volume da possível operação de estabilização em cerca de 53 mil milhões de dólares.
A intervenção "não foi acompanhada pelo próprio Banco do Japão, que não só não aumentou as taxas de juro, como também reduziu a previsão de inflação subjacente para este ano", afirmou.
O Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, e o BoJ realizaram intervenções no mercado cambial entre abril e maio passados, o que provocou uma valorização da moeda japonesa de 160 unidades por dólar para 155 durante os primeiros dias de maio.
O efeito dessas operações de estabilização, cujo montante ascendeu a 11,73 biliões de ienes (cerca de 63.000 milhões de euros), segundo o Ministério das Finanças japonês, foi, no entanto, reduzido, apesar de o BoJ ter aumentado, em meados de junho, as taxas de juro de referência de curto prazo para 1%, o nível mais elevado em mais de três décadas.