Novo Banco: nacionalizar ou vender

Novo Banco: nacionalizar ou vender

"A situação do Novo Banco é critica e urgente há muito tempo". Miguel Tiago, que defendeu, no Parlamento, a nacionalização do terceiro maior banco português esteve no Jornal 2. Sobre o prejuízo de 981 milhões de euros divulgado esta quarta feira por Stock da Cunha, o deputado do PCP fala da herança do BES e aponta o dedo a uma separação entre "Banco Bom" e "Banco Mau" "feita à pressa".

João Fernando Ramos, Rui Sá /
O PCP avançou com a proposta de "nacionalizar" o Novo Banco integrando-o na Caixa Geral de Depósitos. O argumento é "já que o pagamos então que fiquemos com ele".

O Bloco de Esquerda concorda e diz que "é tempo de refletir sobre a necessidade de manter o controlo público sobre parte da banca para a por ao serviço das empresas e do interesse nacional".

Mariana Mortágua avança mesmo que o impacto dos 3.900 milhões de euros emprestados pelo Estado ao fundo de resolução "já foram contabilizados no défice" pelo que a operação seria meramente contabilística.
PSD e CDS contra nacionalização
Contra a ideia estão PSD e CDS-PP. João Almeida diz que o dever do Governo é vender o banco a quem der mais e tentar recuperar o dinheiro que os contribuintes injetaram na instituição.

Pedro Passos Coelho vai mais longe e diz que o simples facto de se discutir uma eventual nacionalização mina a imagem externa do país e a capacidade de atrair investimento.
981 milhões de prejuízo em 2015

Quanto ao Novo Banco, a instituição presentou esta quarta-feira os resultados de 2015. 981 milhões de euros de prejuízos. Pelo menos 600 milhões, revelou o seu presidente, Eduardo Stock da Cunha, são resultado de imparidades herdadas do BES.

Também herdados do antigo Banco Espírito Santo foram mais de mil milhões de euros de empréstimos agora considerados incobráveis. A atividade comercial está no entanto a dar dinheiro: quase 125 milhões de euros.

Ainda assim, em dois anos, o banco perdeu cinco mil milhões de euros.

O fundo de resolução injetou-lhe 4900 milhões. Tinha apenas 500 milhões em caixa. Quatro bancos fizeram um empréstimo e o Estado entrou com a fatia de leão.
Preparar o banco para a venda
O dinheiro entretanto esvaiu-se. O banco precisava de mais. A solução foi que dívida assumida do BES passasse para o "Banco Mau". São dois mil milhões de euros.

Ficaram a perder fundos internacionais. Ganha-se o atual estatuto de segundo banco mais capitalizado do país. Uma imagem saudável para atrair interessados.

O primeiro-ministro diz é necessário ter calma e avança que há pelo menos até agosto de 2017 para tomar uma decisão definitiva quanto ao futuro do banco.

A primeira tentativa de venda, em 2015, correu mal. Uma segunda está em curso. À frente do processo está o Banco de Portugal, através da pessoa que contratou para o efeito: Sérgio Monteiro.
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