Novo centro de investigação da refinaria de Sines da Galp quer "otimizar" processo industrial
Um centro de investigação da Galp Energia, com unidades-piloto que replicam o funcionamento de valências da refinaria de Sines, foi hoje inaugurado naquele complexo, para procurar "otimizar todo o processo industrial", realçou o presidente executivo da empresa.
Nestas unidades-piloto "fazemos experiências que reproduzem, em termos físicos e químicos, os processos" da refinaria, com o objetivo de "otimizar os parâmetros operacionais da unidade industrial", frisou à Agência Lusa Manuel Ferreira de Oliveira.
O presidente executivo da Galp falava à Lusa à margem da inauguração do Centro de Investigação Prof. Ramôa Ribeiro, na Refinaria de Sines e que funciona "há cerca de três meses", mas que só hoje foi "batizado oficialmente".
A infraestrutura integra unidades-piloto que replicam, à escala laboratorial, o funcionamento das principais unidades da própria refinaria.
Segundo a Galp Energia, tais procedimentos poderão "representar ganhos significativos na melhoria dos processos" e "poupanças importantes pela possibilidade de avaliação dos novos processos em ambiente controlado de laboratório".
"A unidade-piloto presente nesta nova infraestrutura de I&D (Investigação e Desenvolvimento) permitirá mimetizar o funcionamento da unidade de hidrocraqueamento de gasóleo pesado, atualmente em fase final de construção no complexo da refinaria de Sines", sublinhou a empresa.
Ferreira de Oliveira explicou à Lusa que, "apesar de hoje em dia os modelos das grandes unidades industriais serem feitos através de computador", para investigação é necessário "um modelo analógico".
"É como se fosse uma micro-refinaria, que opera em condições de pressão e de temperatura idênticas às reais, o que permite investigar novos parâmetros operacionais, para otimizarmos todo o processo de refinação", realçou.
O presidente executivo da Galp revelou que a conversão da refinaria de Sines está "na fase final de completação física do equipamento e na fase de pré-testes", esperando a empresa que possa começar a funcionar "durante o verão".
A "peça central" deste projeto de conversão, que representa um investimento superior a 1,4 mil milhões de euros, é um reator com 42 metros de altura e cinco metros de diâmetro onde, "em condições extremas, as partículas de petróleo mais pesadas são fracionadas através da injeção de hidrogénio e por ação de catalisadores".
Segundo a empresa, isto "permite converter frações petrolíferas com elevado ponto de ebulição e pouco valorizadas em frações leves, mais valorizadas" e o hidrogénio possibilita "operar a temperaturas inferiores, com maior seletividade e com melhores rendimentos".
Esta unidade, "a maior do mundo na sua categoria", vai permitir à Galp Energia "aumentar a produção de gasóleo e de jet-fuel".
E são, precisamente, as reações no interior desta "peça gigantesca" que são repetidas, em escala "infinitamente mais reduzida", na unidade laboratorial hoje inaugurada, que vai capacitar também quadros técnicos e acolher investigadores e alunos de doutoramento na área da refinação.