Economia
O declínio da vinha na Grécia
Situação atual é particularmente difícil para os produtores gregos. Por detrás da recuperação superficial e fragmentada de certas empresas vitivinícolas, esconde-se o colapso de todo o setor.
A resposta ao impasse que a viticultura grega enfrenta não é a retirada, mas uma modernização abrangente.
A ligação entre o vinho grego, o enoturismo e iniciativas voltadas para o exterior cria uma economia circular. Os visitantes estrangeiros vão à Grécia, apaixonam-se pelas vinhas e pela sua história, consomem o produto e, ao regressarem aos seus países de origem, podem tornar-se os melhores embaixadores do vinho grego nas prateleiras dos mercados internacionais.
No entanto, a situação atual, tal como descrita pelo presidente da União Central de Cooperativas de Produtos Vitivinícolas (KEOSOE), Christos Markou, em declarações ao ertnews.gr, é particularmente difícil para os produtores gregos.
Pela enésima vez, o responsável fez soar o alarme sobre o futuro do vinho grego, salientando que, por detrás da recuperação superficial e fragmentada de certas empresas vitivinícolas se esconde o colapso de todo o setor.
O setor vitivinícola, como observou Christos Markou, pode constituir um dos pilares mais vitais e estratégicos da economia grega, uma vez que liga a produção primária ao turismo e às exportações.
Para além da contribuição para o PIB nacional, o setor tem potencial para gerar receitas e criar postos de trabalho nas regiões da Grécia, apoiando a coesão social e económica de regiões que, muitas vezes, não dispõem de fontes alternativas de rendimento.
Ao mesmo tempo, atua como uma alavanca dinâmica para o desenvolvimento voltado para o exterior, uma vez que o vinho grego de marca chega aos mercados internacionais como um embaixador de excelência da marca "Grécia", enquanto a rápida expansão de formas alternativas de turismo, como o enoturismo, poderia atrair visitantes com elevado poder de compra, impulsionando o empreendedorismo local e valorizando o património cultural e gastronómico do país.
Markou analisou os fatores que conduziram ao declínio do setor ao longo dos anos. Considera-se que um fator determinante é a redução da área de vinha, uma vez que, entre 1990 e 2025, a área plantada com videiras diminuiu de 820.000 ascres para 650.000 , o que representa uma perda total de 230 000 acres.
"Os rendimentos dos viticultores caíram drasticamente nos últimos anos", observa Markou, atribuindo o abandono da cultura aos preços extremamente baixos, que muitas vezes nem sequer cobrem os custos básicos de produção.
Ao partilhar uma história pessoal, o presidente da KEOSOE referiu que, quando começou a dedicar-se à viticultura em 1984, a sua vinha de 57 acres garantia o sustento de até duas famílias. Hoje em dia, a vinha é mantida exclusivamente por razões sentimentais e históricas, uma vez que a atividade acarreta prejuízos financeiros, especialmente na sequência de fenómenos meteorológicos extremos, como a geada.
Igualmente importante é a crise climática, com as mudanças nas condições meteorológicas e os fenómenos meteorológicos extremos que estão a afetar a capacidade de produção, levando gradualmente à deterioração e ao ressecamento de metade da vinha.
Para garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor, o presidente da União de Cooperativas define as principais áreas de ação, com vista a integrar a viticultura de forma orgânica e dinâmica no panorama atual do setor vitivinícola.
O desenvolvimento de um plano estratégico é uma prioridade e deve cumprir condições específicas: as partes interessadas devem chegar a acordo quanto ao processo; o plano deve ter como objetivo gerar um rendimento satisfatório proveniente da viticultura e servir como um instrumento que forneça soluções imediatamente aplicáveis a este problema de longa data.
Histórica vinha de Ática também diminuiu de tamanhoA situação na histórica região vinícola de Ática é particularmente grave, explica o Markou, referindo que "Mesogeia, que outrora foi a região vinícola maior e mais dinâmica do país, está agora a cair em ruína. A zona sofreu o seu primeiro grande golpe com a construção do aeroporto, o que levou à destruição de vinhas de alta qualidade sem que fossem tomadas as medidas de proteção necessárias".No entanto, a crise não se deve exclusivamente a fatores externos; é também alimentada por uma grave falta de formação e profissionalismo no próprio setor. Muitos produtores evitam apresentar as declarações de colheita e produção necessárias, privando assim o mercado de transparência e dos dados estatísticos necessários.
"É revelador que apenas 30 adegas estejam registadas na associação local, enquanto um enorme volume de vinho a granel de origem duvidosa — e muitas vezes proveniente de fora da Ática — circula na região em geral. Esta prática compromete qualquer tentativa de normalização, prejudica irremediavelmente a reputação do vinho grego e abre a porta à 'grecoficação' ilegal, como é manifestamente o caso noutras partes do país com produção limitada", salienta o presidente da KEOSOE.
A nível institucional, o problema é agravado pela falta de um aparelho administrativo eficaz. Mesmo quando existe vontade política necessária por parte dos governantes em funções, o Ministério do Desenvolvimento Rural carece dos serviços adequados para implementar decisões racionais e rápidas.
Ao mesmo tempo, a Política Agrícola Comum (PAC) está a revelar-se desastrosa para o sul da Europa, uma vez que obriga os pequenos agricultores gregos a competir, em condições totalmente desiguais, com empresas multinacionais estrangeiras (como as da Austrália) que exploram vastas extensões de terra e reduzem os custos a níveis impossíveis de alcançar na Grécia.
Reggina Savourdou - ERTNews / 24 maio 2026 13:33 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa