OPA do Montepio sobre o Finibanco preserva postos de trabalho
A Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada nos últimos dias pelo Montepio implica o fim da marca Finibanco em Portugal, mas acautela “os postos de trabalho e as condições remuneratórias”, clarificou esta segunda-feira o presidente do Conselho de Administração da instituição mutualista. António Tomás Correia descreve o negócio como “mais uma etapa no crescimento do Montepio” e não põe de parte o interesse pelo processo de privatização do Banco Português de Negócios (BPN).
O Montepio, explicou Tomás Correia, circunscreveu os contactos à família Costa Leite, accionista maioritária do Finibanco, com uma participação de 63 por cento no capital da instituição. A oferta está condicionada à compra de 75 por cento do capital. E o sucesso da OPA está condicionado à luz verde de pelo menos 65 por cento dos accionistas. Todavia, o administrador mostra-se convicto, à partida, de que "a aquisição vai ser consumada".
Nas palavras de António Tomás Correia, a operação "faz todo o sentido, dada a complementaridade que representa para as operações do Montepio" quer no que toca a ramos de negócio, quer a nível da "presença em novas geografias". Outra das virtudes divisadas pela Administração do Montepio é o reforço do crédito outorgado a micro, pequenas e médias empresas, "uma alteração muito positiva para uma instituição que se dedica à banca de retalho".
No total, o banco mutualista, hoje com uma quota de mercado de 6,2 por cento, vai ficar com perto de 500 balcões. Tomás Correia ressalva que haverá uma sobreposição "muito pequena", que "poderá ser verdadeira a nível dos serviços centrais". Mas a absorção da marca Finibanco não ameaça postos de trabalho.
Abater postos de trabalho "não faz sentido"
A Administração do Montepio admite deslocalizar um ou outro balcão, mas apenas em situações específicas Isto porque o Finibanco está representado em oito dezenas de freguesias onde a instituição mutualista não dispõe de balcões. "O Montepio, como instituição financeira de média dimensão, tem a ambição de crescer", insistiu Tomás Correia, para logo acrescentar: "Se alguma coisa esta crise veio mostrar, foi que faz sentido ter um sector da economia social forte".
Quanto aos recursos humanos do Finibanco, o banqueiro sublinha que "não faz sentido que uma instituição com a natureza do Montepio, numa altura de crise social e de crescimento do desemprego, ponha em causa postos de trabalho".
"O Montepio tem uma tabela salarial diferenciada. O Finibanco não tem. Essa é uma matéria que temos de gerir, mas vamos manter os postos de trabalho e as condições remuneratórias", reiterou.
Suspensas desde a passada quinta-feira, por deliberação da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), as acções do Finibanco regressaram hoje à negociação na Euronext Lisboa com uma valorização de 29 por cento, para 1,91 euros. A fasquia mínima de sucesso da OPA está fixada nos 75 por cento do capital do banco liderado por Humberto Costa Leite. Se o Montepio chegar a 90 por cento mais uma acção, o Finibanco é retirado de bolsa, revelou Tomás Correia.
Montepio atento ao BPN
Questionado sobre o eventual interesse na compra do BPN, na sequência da OPA sobre o Finibanco, António Tomás Correia sublinhou que o Montepio "tem balanço para compras, mesmo depois desta operação". A prioridade, prosseguiu o administrador, recai na aquisição do banco da família Costa Leite, que ditará uma fusão nos domínios operacional, comercial e jurídico. Ainda assim, o Montepio estaria "interessado" no BPN, uma vez "conhecidos os parâmetros da privatização".
"Penso que continua a haver oportunidade para maior consolidação", argumentou Tomás Correia. E o Montepio, reforçou, permanece "disposto a analisar novas oportunidades": "Em qualquer circunstância, nós analisá-las-emos, sempre na perspectiva de acrescentar valor para os associados do Montepio e para a economia social. Se as oportunidades surgirem, nós encará-las-emos".
"Uma coisa de cada vez", sintetizou António Tomás Correia.