Oposição denuncia agravamento de crise elétrica no país
A oposição venezuelana denunciou hoje que a crise elétrica se agravou no país, com os apagões a afetarem economicamente os setores produtivos e a submeterem a população a um estado de alerta e sobrevivência.
No relatório "Viver entre Apagões", o partido Primeiro Justiça (PJ) refere que aproximadamente 90% dos lares do país sofrem "apagões de energia diários ou esporádicos" e que em estados como Zúlia, Táchira, Mérida, Lara e Barinas, "os cortes variam entre 6 e 12 horas por dia".
"Os cortes de energia perturbam as rotinas básicas, como dormir, cozinhar, trabalhar, carregar o telemóvel ou conservar alimentos. Isto gera irritabilidade, conflitos familiares e uma sensação de desesperança", explica.
Segundo o PJ, todas as famílias venezuelanas sofrem economicamente devido ao racionamento e flutuações de energia, e aos danos em eletrodomésticos, causando avarias e outro tipo de prejuízos para a população, incluindo de saúde.
"Quando falha o fornecimento de energia elétrica, não só se perdem os alimentos refrigerados, também se paralisa o comércio, se afeta o descanso da população devido às altas temperaturas e se altera o horário escolar", afirma.
O relatório refere ainda que os apagões elétricos também afetam o abastecimento de água, os hospitais, comércios e escolas e que no estado de Táchira, a Câmara de Comércio e Indústria documentou quedas de até 60% na produção, devido a falhas no fornecimento de energia elétrica.
O PJ adianta que em 05 de maio terminou os 45 dias do período de emergência energética decretado pelo Executivo, mas que a crise não se atenuou, e pelo contrário agravou-se, lamentando que os "porta-vozes do governo estejam a apelar com total descaramento à poupança de eletricidade a uma população que sofre cortes diários no serviço".
Por outro lado, refere, especialistas em saúde mental estão a alertar para um aumento dos casos de stress, ansiedade crónica, esgotamento emocional e distúrbios do sono, causados pela falta de previsibilidade do serviço.
O PJ questiona a capacidade do atual executivo para oferecer soluções estruturais ao Sistema Elétrico Nacional (SEN), após décadas de deterioração por alegada falta de investimento, falhas de manutenção e opacidade na gestão e execução dos recursos.
"Após 27 anos no poder, [os governantes] afirmam agora que vão recuperar o sistema com investimentos estrangeiros multimilionários, o que não se concretiza porque, simplesmente, não existe confiança institucional", conclui.
Em março de 2019, uma falha na Central Hidroelétrica Simón Bolívar da Barragem de El Guri causou um apagão que deixou a Venezuela às escuras durante sete dias.
Os apagões elétricos, que inicialmente se registavam apenas no interior do país, são agora também frequentes na cidade de Caracas, a capital do país, zona que tinha sido declarada como protegida pelas autoridades.
O governo atribui a crise ao aumento das temperaturas, a um alegado crescimento da atividade económica e a sanções internacionais que limitam o acesso a peças de reposição e a investimentos estrangeiros.
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