Países emergentes cada vez mais competitivos
Os países emergentes alcançam os Estados Unidos na classificação mundial das economias mais competitivas do planeta estabelecido hoje pelo Instituto suíço IMD, que receia as tensões proteccionistas por parte dos países mais avançados.
A economia norte-americana continua à frente da classificação mas 40 dos 55 países estudados pelo IMD de Lausanne no seu relatório de 2007 sobre a competitividade mundial aproximam-se dos resultados da primeira potência do globo.
Estão entre eles os dragões da Ásia (Singapura e Hong Kong nos segundo e terceiros lugares, a China é o 15/o e a Índia o 27/o), os países da Europa do Norte mas também um bom número de antigo países do bloco soviético.
O IMD calcula desde há 20 anos o seu próprio índice de crescimento da competitividade, que revela que a China tal como a Índia, progrediram por ano em média 2,5 por cento mais depressa que os Estados Unidos no período 1997-2007.
Quanto à Rússia, embora ela se situe na tabela do fundo da classificação, no 43/o lugar, a sua progressão é a mais rápida do mundo, com cerca de cinco por cento.
O índice é calculado a partir de 323 critérios que avaliam os resultados de um país em matéria económica mas também administrativa e social (infra-estruturas, educação, saúde, tecnologia...).
Dois terços da nota provêm de estatísticas puras (PIB, investimentos, comércio) e um terço dos resultados de um inquérito de opinião junto de 3.700 dirigentes do mundo empresarial.
Ao invés, outros países emergentes, nomeadamente na América Latina (Brasil, México), e grandes economias europeias como a França, Espanha, e a Itália, perderem terreno nestes dez últimos anos em relação à América.
A recuperação dos países desenvolvidos "poderá levar a um recurso acrescido às medidas proteccionistas na Europa e nos Estados Unidos, receia Stéphane Garelli, um dos autores do relatório.
"Em 2007 e depois disso, as relações económicas serão mais tensas do que nunca, á medida que os países emergentes se tornam potências emergentes e perturbam a ordem estabelecida", prevê, esperando uma multiplicação dos recursos junto da Organização Mundial de Comércio (OMC). Barreiras "mais subtis" em matéria de ambiente, de protecção da actividade intelectual ou ainda de direitos sociais podem surgir, adverte.
Os países industrializados terão também cada vez mais dificuldade em tolerar a perda de jóias económicas para as mãos dos países emergentes, como se viu com a polémica provocada pela compra da metalúrgica europeia Arcelor pela indiana Mittal.
Só durante o ano de 2007, a Alemanha conseguiu a melhor progressão, ganhando nove lugares e passando para o 16/o lugar mundial.
A África do Sul, em contrapartida, sofreu o maior recuo, perdendo 12 lugares e ficando na 50/a posição devido à elevada taxa de desemprego, aos seus problemas sociais e políticos e ao mau estado das suas infra-estruturas. Os Estados Unidos continuaram a perder pontos em matéria de eficácia administrativa, de mercado de trabalho, gestão de empresas, de ambiente e de sistema de cuidados de saúde.
Segue-se a classificação 2007 da competitividade das principais economias do planeta de acordo com o Instituto IMD e a sua variação em relação ao ano anterior:
Os 20 primeiros:
1: Estados Unidos (=) 2: Singapura (+ 1) 3: Hong Kong (- 1) 4: Luxemburgo (+ 5) 5: Dinamarca (=) 6: Suíça (+ 2) 7: Islândia (- 3) 8: Holanda (+ 7) 9: Suécia (+ 5) 10: Canadá (- 3) 11: Áustria (+ 2) 12: Austrália (- 6) 13: Noruega (- 1) 14: Irlanda (- 3) 15: China (+ 3) 16: Alemanha (+ 9) 17: Finlândia (- 7) 18: Taiwan (- 1) 19: Nova Zelândia (+ 3) 20: Reino Unido (=) Entre as outras grandes economias:
24: Japão (- 8) 27: Índia ( = ) 28: França (+ 2) 42: Itália (+ 6) 43. Rússia (+ 3) 48: Turquia (- 5) 49: Brasil (- 5) 50: África do Sul (- 12) 54: Indonésia (- 2)