Passe social de Lisboa vai ser recarregável nas caixas multibanco
O passe social dos transportes de Lisboa, o cartão Lisboa Viva, vai ser recarregável nas caixas multibanco até ao final do primeiro semestre de 2005, anunciou hoje o presidente da Carris, durante uma conferência sobre transportes e mobilidade.
O cartão Lisboa Viva é o passe social mensal que permite viajar no Metro, Carris e Transtejo. A partir do próximo ano também vai possibilitar deslocações na CP.
Hoje em dia pode ser carregado nos quiosques de venda ao público em várias estações de cada um dos meios de transporte a que dá acesso e nas máquinas automáticas de venda de bilhetes de Metro.
Os operadores privados de transportes que operam na região de Lisboa ainda não utilizam este cartão, mas o presidente da Carris espera que isso possa acontecer a médio prazo, depois de resolvidas algumas questões sobre a contratualização do serviço público.
No segundo semestre do próximo ano, José Silva Rodrigues disse que será possível também carregar o Cartão Sete Colinas no multibanco.
O Sete Colinas é um cartão destinado a utilizadores ocasionais e pode ser recarregado electronicamente com bilhetes horários (que duram um determinado período pré-estabelecido que pode ir de uma hora alguns dias) e que permite deslocações no Metro, Carris e Transtejo.
Em 2006, Silva Rodrigues espera que possam ser agregados outros serviços ao cartão Lisboa Viva, como o pagamento de parques de estacionamento.
Neste momento existem 884.540 cartões Lisboa Viva emitidos, dos quais 658 mil do Metropolitano de Lisboa, que foi o pioneiro do sistema em Lisboa, 225 mil da Carris, que entrou em Dezembro de 2003, 1.190 da Transtejo, que utiliza o Lisboa Viva desde Outubro de 2004.
A CP, que entrará no sistema em 2005, emitiu a partir de Novembro deste ano, 350 cartões Lisboa Viva.
O presidente da Carris salientou que a introdução do Lisboa Viva permite racionalizar o sistema de vendas dos diferentes operadores de transportes de Lisboa e "acaba de vez" com a discussão acerca da repartição das receitas.
Como todos os registos dos passageiros ficam registados, é fácil de repartir as receitas entre os diferentes operadores.
O presidente da Carris disse à agência Lusa à margem do congresso que os pagamentos através do multibanco irão permitir aumentar a eficácia e reduzir os custos da política de vendas da empresa de autocarros.
Além dessa medida, para reduzir custos, a Carris está a ultimar um acordo com os CTT para poder vender o cartão Lisboa Viva em todas as estações de correios de Lisboa e nas PayShops.
O PayShop é um serviço que permite o pagamento de várias contas domésticas como o telefone, a electricidade, a água ou o gás, bem como o carregamento de telemóveis e o pagamento das respectivas facturas (assinaturas mensais, roaming, etc...) em estabelecimentos comerciais como papelarias, tabacarias, supermercados entre outros.
No primeiro semestre do próximo ano, a Carris vai ainda decidir se cederá a exploração dos 10 postos de venda a terceiros, para reduzir ainda mais os custos.
Silva Rodrigues é peremptório em defender que a empresa que lidera tem que apostar no aumento de eficácia para melhorar a sua situação financeira.
Por isso, defende nos próximos quatro a cinco anos uma estabilização da indemnização compensatória cedida pelo Governo, em torno dos 40 milhões de euros, tendo a empresa que fazer um esforço suplementar para se tornar eficiente e melhorar a sua situação financeira.
Em 2003, a Carris recebeu 40 milhões de euros do Estado e este ano 33 milhões de euros.