Paulo Teixeira Pinto falhou no desafio que assumiu
O presidente do BPI considera que Paulo Teixeira Pinto falhou o desafio que assumiu ao aceitar a presidência executiva do BCP nas condições em que o fez e qualifica como "chocante" que agora apoie um modelo contrário ao que criou.
"Sempre pensei e disse que o desafio era muito grande (...) mas ele [Paulo Teixeira Pinto] sabia e se o assumiu foi por sua conta e risco", disse Fernando Ulrich, entendendo por isso que o presidente executivo do BCP "falhou" esse desafio.
Na justificação da decisão do BPI, de votar contra as propostas do grupo de accionistas que apoiam Paulo Teixeira Pinto, Fernando Ulrich salvaguarda que "esta decisão tem a ver com propostas e não com pessoas".
Mas adianta que o actual modelo de governo - estrutura da administração e fiscalização - do BCP foi criado pelo seu presidente executivo e por isso considera "chocante" que este agora apoie outro distinto.
"Ele criou o modelo (...) ele formou ou aceitou a equipa (...) e agora está a apoiar um outro modelo que é contra o que ainda há poucas semanas defendia", frisa o presidente executivo do BPI.
Quanto às divergências e ruptura entre os membros da administração executiva do BCP, a administração do BPI entende que podem ser resolvidas doutra forma, sem recorrer a propostas radicais como a destituição, propostas por accionistas apoiantes de Paulo Teixeira Pinto, de cinco dos nove administradores.
"O BPI podia ter convocado uma Assembleia Geral [tem 8,5 por cento do capital e para o fazer só são necessários cinco por cento] e não o fez", sublinhou.
Lembrou também que todos os administradores - Alípio Dias, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, Alexandre Bastos Gomes e António Rodrigues - que apoiantes do actual presidente do BCP querem destituir eram superiores de Paulo Teixeira Pinto à data em que este aceitou o cargo e admite que "se calhar a liderança também não foi a melhor".
O BPI é o segundo ou terceiro - algumas participações não são conhecidas na totalidade - maior accionista do BCP e este é o maior banco não estatal português, com cerca de um quarto do mercado, e portanto "nada do que aconteça no banco [BCP] nos é indiferente", frisou Fernando Ulrich.
O BPI decidiu também ser completamente transparente, revelando antes da AG como vai votar, porque "pode ser útil, nesta situação e enquanto instituição financeira, dar a conhecer a nossa posição ao mercado", adiantou.
Recorde-se que o BPI anunciou que vai votar a favor das duas propostas que vão no sentido defendido pelo antigo presidente do banco, Jorge Jardim Gonçalves, propostas pelo maior accionista, a Teixeira Duarte, e que são para manter o actual número de administradores e de membros do Conselho Geral e de Supervisão.
Vota contra todas as outras propostas, desde a alteração dos estatutos que assenta na mudança da estrutura da administração e fiscalização do banco à destituição de administradores, e abstêm-se no ponto sobre a eleição de três novos administradores.