Pedrógão Grande espera que processo da central solar na albufeira do Cabril seja cancelado
O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, António Lopes, disse esta quinta-feira esperar que o processo da central solar flutuante na albufeira do Cabril seja cancelado após o parecer desfavorável da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
"Espero que o processo seja encerrado de vez, espero que o processo seja cancelado", afirmou à agência Lusa António Lopes, considerando que, com a decisão da APA, "ficam a ganhar os municípios envolvidos e o território".
Ainda segundo o presidente deste município no norte do distrito de Leiria, "com esta decisão está garantido o desenvolvimento estratégico do concelho através do turismo", assim como a "salvaguarda ambiental, a segurança e o bem-estar da população e das pessoas que procuram o concelho".
Já na rede social Facebook, a Câmara referiu que esta decisão "foi o corolário de um processo desgastante" e agradeceu "todo o apoio da população e daqueles que se manifestaram contra a sua instalação em sede de consulta pública".
"Um agradecimento muito especial às comunidades intermunicipais de Leiria, Coimbra e Beira Baixa, que nos apoiaram na defesa deste património único", lê-se na mesma publicação, que assinala que "o ambiente, o Cabril e o concelho estão de parabéns".
A APA emitiu parecer desfavorável ao projeto da central solar flutuante da albufeira do Cabril, nos concelhos de Pedrógão Grande, Pampilhosa da Serra e Sertã, anunciou hoje a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria.
"Esta decisão representa um importante reconhecimento das legítimas preocupações da região e da população em geral, que têm alertado para os graves impactos ambientais e socioeconómicos que tal infraestrutura implicaria", referiu a Comunidade Intermunicipal (CIM) numa publicação na rede social Facebook, considerando esta decisão uma "vitória para o território".
Na mesma publicação, a Região de Leiria disse aguardar agora que "esta posição seja mantida e reforçada, com o cancelamento definitivo do projeto".
O projeto na albufeira do Cabril prevê 82.368 painéis solares, segundo o estudo de impacto ambiental disponível na plataforma participa.pt.
"O projeto da central fotovoltaica flutuante de Cabril terá uma potência de ligação de 47,77 MWp [mega watt-pico] gerada em 82.368 painéis solares, cada um capaz de produzir uma potência de pico de 580 Wp e ocupando uma área total de painéis de 33,97 hectares", revela o resumo não técnico do estudo.
A unidade mega watt-pico corresponde à potência máxima de um conjunto de painéis solares nas condições `standard`, isto é, radiação solar de 1.000 watts/m2 e 25 graus de temperatura.
O documento adianta que "a produção elétrica anual expectável atingirá" cerca de 73.799 megawatt por hora, sendo que a energia gerada vai ser injetada na Rede Elétrica de Serviço Público.
A central, projeto da empresa Voltalia, está prevista para território dos concelhos de Pedrógão Grande (distrito de Leiria), Pampilhosa da Serra (Coimbra) e Sertã (Castelo Branco).
Com as duas linhas elétricas aéreas associadas (uma de 3,44 quilómetros e outra de 21,21 quilómetros), o projeto chega também aos concelhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos (Leiria), e Penela (Coimbra).
Em abril de 2022, na sequência do leilão do Governo para a exploração de 263 megawatts de energia solar em sete barragens do país, o lote do Cabril foi adjudicado à Voltalia.
Então, a Voltalia explicou que a capacidade instalada da central "será entre 33 MW e 40 MW, dependendo da otimização final do projeto".
"Com 33 hectares, a central vai fornecer energia verde para um volume equivalente ao consumo de 70.300 habitantes", esclareceu a empresa.
Em abril, as comunidades intermunicipais da Região de Leiria, Região de Coimbra e Beira Baixa pediram o cancelamento deste projeto.
Um ano antes, a Câmara de Pedrógão Grande deu parecer negativo, considerando que terá um "gravíssimo impacto negativo" no concelho.