Petrogal, Infineon e Autoeuropa são empresas com maior peso
A Petrogal, a Infineon Technologies e a AutoEuropa são as três empresas que mais peso têm nas exportações portuguesas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) a que a agência Lusa teve acesso.
De acordo com valores do final do primeiro trimestre de 2006, as 20 maiores exportadoras em Portugal representam 30,7 por cento das vendas de Portugal ao exterior, valor superior em 3,5 pontos percentuais ao registado em igual período de 2005.
No topo da lista dos maiores exportadores está a petrolífera Petróleos de Portugal - Petrogal, seguida pela tecnológica de semicondutores Infineon (agora chamada Qimonda) e pelo fabricante de automóveis AutoEuropa.
Há um ano, a AutoEuropa liderava a lista, à frente da Infineon e da Petrogal.
A maioria das maiores exportadoras é controlada por accionistas estrangeiros: cinco pertencem a alemães, quatro a norte- americanos e duas a espanhóis. Existem quatro empresas de capitais maioritariamente portugueses (ver tabela).
Olhando para os produtos que fabricam, é possível concluir que 35 por cento dos bens exportados por estas 20 empresas são do sector automóvel, tanto de veículos como de componentes e peças.
Além da AutoEuropa, da Opel da Azambuja e da Peugeot Citroen, que estão directamente ligadas ao fabrico ou montagem de automóveis, a Blaupunkt, do grupo Bosch/Siemens, fabrica auto-rádios, a Continental Mabor produz pneus e a Delphi Portugal fornece componentes para automóveis.
O estudo de Paulo Inácio do Gabinete de Estratégia e Estudos publicado em Agosto pelo Ministério da Economia e da Inovação mostra que as exportações de automóveis têm vindo a ganhar peso nos últimos 10 anos.
Em 1995 as saídas de mercadorias deste sector para o exterior representavam 16,6 por cento das vendas totais ao estrangeiro, mas em 2000 esse valor subira para 21,7 por cento, tendo depois caído para 20,5 por cento (seis mil milhões de euros) em 2005, após a quebra da produção da AutoEuropa entre 2003 e 2005.
No ano passado, o sector automóvel pesava 20,5 por cento nas exportações portuguesas, com as vendas de veículos a representarem 9,0 por cento e as peças e componentes 11,5 por cento.
Os dados da Organização Mundial de Comércio mostram que em 2004 os produtos automóveis exportados no conjunto do mundo representavam cerca de 9,5 por cento do total das exportações, um valor bem mais baixo do que o existente em Portugal.
No topo da lista dos produtos exportados na economia mundial encontra-se a maquinaria e o equipamento de transporte (quota de 17 por cento), logo seguida pelos produtos petrolíferos e mineiros (14 por cento).
Os mercados destino das exportações portuguesas da indústria automóvel são essencialmente a França, a Espanha e a Alemanha, que juntos absorvem mais de 63 por cento das exportações deste sector, segundo o estudo de Paulo Inácio.
Na lista das 20 maiores exportadoras portuguesas surgem também companhias da indústria de metais, como a Hydro Aluminium e a Siderurgia Nacional.
Esta última aumentou muito a sua posição relativa na classificação das maiores exportadoras em Portugal, passando de um 72º lugar no início de 2005 para o 20º no primeiro trimestre de 2006.
Nota ainda para o sector de papel e da pasta, que mantêm uma posição de destaque no sector exportador, com o grupo Portucel/Soporcel à cabeça.
Os dados da Associação da Indústria Papeleira mostram que em 2005 as exportações da indústria papeleira representavam cinco por cento das vendas ao estrangeiro portuguesas.
Em declarações à agência Lusa, o ex-ministro da Economia, Augusto Mateus, alertou para ao facto da lista dos maiores exportadores pouco dizer sobre o valor acrescentado dessas empresas para a economia como um todo, já que se a empresa além de ser uma grande exportadora for também uma grande importadora, pode criar um valor acrescentado reduzido.