Plano Paulson é medida necessária, mas não suficiente - economistas portugueses
Lisboa, 03 Out (Lusa) - A aprovação do Plano Paulson hoje pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos é uma medida positiva, mas que por si só não é suficiente para resolver a crise financeira internacional, afirmam os especialistas contactados pela Lusa.
"Este plano Paulson é unanimemente visto como necessário, mas está longe de ser suficiente. Ainda não se sabe de que forma será executado", afirmou à Lusa o economista e professor universitário Jorge Braga de Macedo.
"O primeiro mercado de crédito a ser recuperado é o do crédito entre bancos", acrescentou, notando que o Plano Paulson "é útil, mas tem muitos defeitos", pois "não se pode separar a liquidez da solvência".
Por sua vez, o economista Miguel Beleza considera que "a aprovação do Plano é uma medida positiva para acalmar a situação e devolver confiança aos mercados", mas a forma como será posto em prática é que será "decisiva".
"Por si só, o plano Paulson não é suficiente", acrescentou.
"Penso que era o que se previa. Não seria razoável continuar com estas picardias políticas quando a terra está a arder", afirmou, por sua vez, o economista e professor universitário João César das Neves.
"Não podemos saber se com o plano estão criadas as condições para a estabilização dos mercados, porque estas dependem da confiança, que é o mais fluido e volátil dos elementos do universo. Mas não há dúvida que se está a fazer tudo o que é humanamente possível para tal", disse ainda.
"Se o plano for aplicado com seriedade e rigor, com rapidez e eficácia, é bastante provável que reduza muita da turbulência, podendo acalmar as coisas como todos desejamos", concluiu o especialista.
A Casa dos Representantes dos Estados Unidos aprovou hoje o Plano Paulson, um conjunto de medidas que pretendem salvar o sector bancário norte-americano de um colapso que, segundo os especialistas, arrastaria a economia global para uma recessão.
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