Polémica hidroeléctrica do Papagaio reabilitada pela construtora Soares da Costa
Lisboa, 19 Fev (Lusa) - A polémica hidroeléctrica do Rio Papagaio, em São Tomé e Príncipe, construída há 15 anos com apoio da cooperação portuguesa mas que nunca funcionou, vai ser reabilitada pela construtora Soares da Costa, noticiou a imprensa local.
Além da reabilitação da barragem do Papagaio, na ilha do Príncipe, que deverá entrar em funcionamento no final do ano, a empresa portuguesa Soares da Costa vai construir na mesma ilha uma mini-hídrica na localidade São Joaquim, escreve o diário "on-line" Tela Non.
Fernando Nogueira, administrador da Soares da Costa em São Tomé afirmou recentemente que a construtora vai criar 12 novas pequenas hidro-eléctricas (mini-hídricas) em São Tomé e Príncipe.
Estas juntam-se a duas já em funcionamento, e tornam a Soares da Costa fornecedora da empresa pública de electricidade (EMAE) são-tomense, que tem vindo a enfrentar crescentes dificuldades no fornecimento de energia, dado o aumento do preço das importações petrolíferas.
A hidroeléctrica do rio Papagaio foi inaugurada em Julho de 1993, pelo então primeiro-ministro português Aníbal Cavaco Silva.
Contudo, segundo a população local, logo após a inauguração o fornecimento de electricidade foi interrompido, escreve o Tela Non.
A interrupção foi atribuída a uma "insuficiência técnica na captação de água".
As obras de reabilitação já tiveram início no terreno, com a o corte da vegetação que tinha coberto por completo a hidroeléctrica.
Contudo, o presidente do governo regional do Príncipe, Tozé Cassandra, afirma que a hidroeléctrica apenas vai contribuir com 20 por cento das actuais necessidades da Ilha do Príncipe.
"São 150 kilowatts. Vai ajudar-nos em termos de custos com o gasóleo. A produção de electricidade no Príncipe é essencialmente térmica", afirmou Cassandra, citado pelo Tela Non.
As actuais necessidades estão estimadas em 550 kilowatts, mas a tendência é de aumento do consumo, devido aos novos empreendimentos turísticos na ilha e aos projectos de infra-estruturas, nomeadamente o novo porto e a ampliação do aeroporto.
A próxima hidroeléctrica da Soares da Costa deverá ser a de Roça Bombaim, com uma capacidade de produção de 4 megawatts de electricidade, cerca de 40 por cento das necessidades eléctricas de São Tomé.
De acordo com o mesmo responsável, quando as 14 mini-hídricas estiverem em funcionamento a capacidade de produção de electricidade em São Tomé atingirá os 40 megawatts, quatro vezes mais do que os actuais 10 megawatts.
Numa primeira fase, adiantou, o projecto representa um investimento de perto de três milhões de euros, suportado pela Soares da Costa, que depois será ressarcida através da venda de energia à EMAE.
Da actual produção são-tomense, 80 por cento (8 megawatts) são assegurados pela central térmica de São Tomé, que está dependente das cada vez mais caras importações de gasóleo, tornando a electricidade do arquipélago numa das mais caras do mundo, segundo a imprensa local.
PDF.
Lusa/Fim