Porsche aumenta lucros e Opel continua em risco
A construtora alemã Porsche anunciou um aumento dos lucros no semestre que terminou a 31 de Janeiro para mais de 5 mil milhões de euros. Isto no mesmo dia em que a chanceler alemã Angela Merkel visita a fabrica-mãe da Opel que está em risco desde que o presidente norte-americano Obama recusou o plano de reestruturação apresentado pela GM.
A General Motors detém as patentes da Opel desde 1929. A empresa que emprega 56 mil trabalhadores na Europa, 26 mil dos quais na Alemanha, continua em risco após a recusa presidencial de Obama ao plano de reestruturação apresentado pela GM.
Consciente do problema, mas sem ainda querer comprometer-se em demasiado - Obama deu 60 dias à GM para apresentar novas soluções -, a chanceler alemã decidiu visitar a fábrica-mãe da Opel, em Ruesselsheim (Hessen), para "se inteirar da capacidade de produção" da mesma, disse um porta-voz do Executivo alemão.
Também conscientes da grave situação, os sindicatos adiantam que "Angela Merkel não pode deixar a Opel" e exigem que o Estado garanta ajudas à empresa após uma eventual separação da General Motors.
Os trabalhadores estão mesmo dispostos a abdicar de parte do salário para não perderem o emprego. "A chanceler tem de decidir se quer só ajudar os bancos ou também quer ajudar a economia real, de que a Opel é um símbolo", disse, ao jornal Westdeutsche Allgemeine, Detlef Wetzel, vice-presidente do sindicato Alemão dos Metalúrgicos.
Participação da Porsche na Volkswagen ajuda
Os resultados agora conhecidos da Porsche revelam que a empresa sedeada em Estugarda terminou o ultimo semestre (até 31 de Janeiro) com lucros de 5,5 mil milhões de euros. Um ano antes tinha tido lucros de 1,3 mil milhões de euros.
Parte dos bons resultados deve-se à participação na Volkswagen. A Porsche está a comprar acções da VW desde 2005. Tem actualmente cerca de 51% da empresa e manifestou intenção de "continuar a aumentar a participação".
Já na semana passada conseguiu uma garantia para um empréstimo de 10 mil milhões de euros de vários bancos para comprar mais acções da Volkswagen.
Apesar dos bons resultados apresentados, também a Porsche não está imune à crise mundial. As vendas baixaram 12,8 por cento e a empresa prevê a continuação da quebra durante este ano.