Português quer abrir bomba de gasolina em Espanha para aproveitar clientes portugueses
As centenas de portugueses que diariamente vão abastecer os seus carros a Espanha, na fronteira com Chaves, levaram o empresário Manuel Almeida a admitir hoje, em declarações à Lusa, a intenção de abrir uma bomba de gasolina na localidade espanhola de Feces de Abaixo.
"Em Chaves estamos apenas a 10 quilómetros da fronteira e a 12 da primeira estação de serviço e, por isso, são muitos os portugueses que se deslocam a Feces de Abaixo para se abastecerem", frisou Manuel Almeida.
Por isso, o empresário português, que possuiu uma estação de serviço em Chaves durante 11 anos, decidiu abrir uma bomba de gasolina precisamente nesta localidade espanhola, em plena estrada nacional 532.
Com a subida dos impostos sobre os combustíveis, que originaram uma diferença de preços de "cerca de 20 cêntimos" entre Portugal e Espanha, o responsável revelou à Lusa que "o número de clientes desceu em queda livre" e o negócio da sua estação de serviço deixou de ser rentável.
A ideia, de Manuel Almeida abrir uma bomba em Espanha, surgiu há cerca de um ano. Adquiriu um terreno e entregou o projecto no Concello de Verin para aprovação.
"Só que também em Verin o meu projecto está a ser travado pela burocracia e dizem-me agora que tenho que esperar mais uns meses para efectuarem alterações ao Plano Director Municipal", salientou o empresário português.
Manuel Almeida chegou a propor ao Governo português a instalação de uma bomba de gasolina, em território português mas junto à fronteira, onde pudesse "praticar preços equivalentes aos espanhóis".
Através dos Serviços de Alfândega, o Ministério das Finanças respondeu que "não havia base legal" para a concretização deste projecto.
"O Governo português não sabe fazer contas. Pois as pessoas que abastecem em Espanha para além dos combustíveis compram também outros produtos como tabaco ou garrafas de gás", sustentou.
Manuel Almeida fez as contas e diz que, só na fronteira de Chaves, o "Governo português perde em receitas de imposto sobre os combustíveis qualquer coisa como 30 milhões de euros por ano".
O presidente-executivo da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira, alertou em Agosto para o enorme diferencial de impostos entre Portugal e Espanha, que se traduz numa perda anual, para a empresa, entre os 100 e os 150 milhões de litros de combustível.
Portugal perde, segundo Ferreira de Oliveira, em receitas fiscais entre 67 milhões de euros, no caso de 100 milhões de litros, e 101 milhões de euros, caso se venda menos 150 milhões de litros de combustível, em Portugal, por ano, em detrimento de Espanha.
Estes valores foram apurados tendo por base o preço médio, entre Janeiro e Julho, de 1,309 euros por litro para a gasolina sem chumbo 95 octanas e de 1,044 euros por litro para o gasóleo rodoviário.
Reflecte ainda a ponderação por consumo numa proporção de 30 por cento para a gasolina e 70 por cento para o gasóleo.