Prejuízos da Metro do Porto quase duplicam para 26,5 milhões de euros em 2025
Os prejuízos da Metro do Porto quase duplicaram de 13,4 milhões de euros em 2024 para 26,5 milhões em 2025, segundo o Relatório e Contas da empresa, que dá conta de mais gastos com a subconcessão.
De acordo com o documento, em causa está uma diminuição do resultado líquido da transportadora em 97,1% para 26,5 milhões de euros, depois de uma melhoria entre 2023 (45,5 milhões de euros de prejuízo) e 2024 (13,4 milhões de prejuízo).
Apesar do aumento dos prejuízos, 2025 foi, ainda assim, o segundo melhor ano para a empresa dos últimos anos, dados os prejuízos de 91,1 milhões de euros em 2019, 90,7 milhões em 2020, 64,7 milhões em 2021, 46,2 milhões em 2022 e 45,5 milhões de euros em 2023.
Em 2025, a Metro do Porto registou um aumento de gastos no "principal contrato operacional da empresa", o contrato de subconcessão (prolongado até março de 2027) com a ViaPorto (grupo Barraqueiro), que "apresenta um aumento de 43,4% equivalendo a mais 18,09 milhões de euros de gastos".
Quanto a outros indicadores financeiros, a receita de exploração do Metro do Porto aumentou 4,9% (79,5 milhões de euros em 2024 para 83,4 milhões em 2025), tendo o custo da operação aumentado 29,8%, de 47,8 milhões de euros para 62,1 milhões.
Relativamente à taxa de cobertura global, esta diminuiu 24,2 pontos percentuais (140,3% para 116,2%), com base em rendimentos de 84,8 milhões de euros (mais 4,4% que em 2024) e gastos de 73,1 milhões (mais 26,1%).
Quanto ao investimento, avaliado por variação do ativo bruto, "em 2025 ultrapassou os 194,0 milhões de euros (189,7 milhões de euros se considerado o efeito da constituição e utilização de provisões)", o que representa "uma ligeira redução face ao ano transato (4,3%)".
"Os grandes projetos de expansão da rede de Metro e BRT [metrobus] (excluindo material circulante ferroviário) corresponderam a 92,4% do valor do investimento apurado para o ano de 2025", com as linhas Rosa e Rubi a serem "as mais representativas no valor do investimento apurado para 2025, com 94,1 e 75,0 milhões de euros, respetivamente", correspondendo a 87,1% do investimento do ano.
Quanto aos indicadores de serviço, a produção da Metro do Porto aumentou em 4,6% quanto a veículos/quilómetro (unidade de medida que serve para quantificar a oferta disponibilizada e atividade operacional), passando de 9,178 milhões para 9,598 milhões, e também quanto a lugares/quilómetro (4,8%), de 2,1 para 2,2 mil milhões.
A velocidade comercial também aumentou ligeiramente, passando de 26 quilómetros por hora para 26,1, tendo a taxa de ocupação dos veículos descido em proporção idêntica, de 22,7% para 22,6%.
A Metro do Porto registou ainda 94,54 milhões de validações em 2025, mais 5,3% que em 2024, correspondente a 4,76 milhões de validações.
"Como fatores explicativos do aumento do número de validações é possível identificar: o efeito da extensão da Linha Amarela até Vila d`Este (três novas estações inauguradas em 28 de junho de 2024 e que, por isso, em 2025 estiveram em funcionamento durante muito mais dias do que no ano anterior); e também a política tarifária", aponta a empresa liderada por Emídio Gomes.
O aumento de validações é também explicado "sobretudo pela variação do número de validações de utilizadores do tarifário Jovem: +6,14 milhões (variação de 32,2%)", especialmente nas "validações no tarifário Jovem sub23: +4,00 milhões (variação de 38,0%)".
"No início de dezembro de 2024 a gratuitidade dos passes, que até então se destinava apenas aos estudantes até aos 23 anos, passou a abranger todos os jovens até aos 23 anos, inclusive, independentemente de serem ou não estudantes", recorda a Metro do Porto.
Em contrapartida, em 2025 "diminuiu o número de validações de clientes utilizadores do tarifário Normal (tarifário Andante sem qualquer tipo de desconto): -2,06 milhões, que equivalem a -3,6%", e os tarifários destinados à terceira idade viram um aumento de 510 mil validações.