Primeira loja de pastéis de nata portugueses "tem tudo para singrar" em Hong Kong

Primeira loja de pastéis de nata portugueses "tem tudo para singrar" em Hong Kong

A primeira loja de pastéis de nata portugueses em Hong Kong vai abrir na terça-feira, com "tudo para singrar" na região chinesa, disse à Lusa o líder da empresa.

Lusa /

A inauguração está marcada para 02 de junho, mas o espaço, situado na zona Central da ilha de Hong Kong, vai começar a vender pastéis uma semana antes, revelou o diretor-geral da Manteigaria Ásia Hong Kong, Fábio Pombo.

Após vários anos como `chef` do Club Lusitano, a maior instituição da comunidade lusodescendente de Hong Kong, Pombo foi convidado pelo Grupo Portugália Restauração para lançar a Manteigaria - Fábrica de Pastéis de Nata na antiga colónia britânica.

Mas a ligação já vem de longe: "Eu vivia em Lisboa, no prédio adjacente à primeira Manteigaria, no Chiado. Quando surgiu esta oportunidade, quase que nem pensei duas vezes".

"Fiquei logo muito motivado e entusiasmado para abraçar esta oportunidade, porque é a primeira vez que uma empresa portuguesa e com um produto português se tenta estabelecer este nível em Hong Kong", explicou Pombo.

O território chinês "já é um sítio que adora, idolatra" as tartes de estilo britânico, mas o empresário tem confiança que os pastéis de nata podem ganhar um espaço num "mercado muito competitivo".

Por um lado, a massa "tem uma tradição já centenária", que "dificilmente alguém consegue recriar", até porque exige uma técnica que "não é fácil de dominar" e requer "muita prática e repetição".

Aliás, parte da equipa de 12 pessoas que irá arrancar com o espaço em Hong Kong "está a ser treinada" nas lojas da Manteigaria na vizinha região chinesa de Macau, acrescentou o empresário.

Além disso, ao contrário de parte da pastelaria vendida em Hong Kong, que "não é feita fresca", os pastéis de nata serão feitos na própria loja: "A cada meia hora está a sair uma fornada".

"Acho que têm muito potencial para ser um sucesso em Hong Kong", acrescentou Pombo, que escolheu seguir a receita já testada em Macau, com uma redução para metade do açúcar.

"Pela minha experiência como `chef` de cozinha aqui, o maior elogio que os cantoneses [naturais do sul da China] podem fazer a uma sobremesa é `isto não é muito doce`", explicou Pombo.

A Manteigaria gastou cerca de quatro milhões de dólares de Hong Kong (440 mil euros) para abrir um espaço em "uma das cidades mais caras do mundo", revelou o empresário, investimento que a empresa espera recuperar em dois anos.

Pombo sublinhou que a primeira loja, situada "no centro do centro" de uma cidade com sete milhões de habitantes, pretende atrair tantos turistas como os chineses e estrangeiros que trabalham nos "muitos escritórios" à volta.

Mas o `chef` já está "no terreno há meses" à procura de locais para abrir duas outras lojas até ao fim do ano, tendo como alvos Wanchai ou Causeway Bay, também na ilha de Hong Kong, e Tsim Sha Tsui, em Kowloon, ambas populares zonas turísticas.

De acordo com dados oficiais, Hong Kong recebeu 49,9 milhões de visitantes em 2025, mais 12% do que no ano anterior.

"Vai ser a primeira vez que muitos destes turistas, principalmente turistas asiáticos, vão poder experimentar um pastel de nata como ele é feito em Portugal. Ou seja, o pastel de nata original e autêntico", disse Pombo.

Em fevereiro, o sócio-gerente do Grupo Portugália Restauração em Macau, Diogo Vieira, disse à Lusa que, depois de Hong Kong, o "projeto de expansão" da Manteigaria irá espreitar "os outros mercados circundantes", incluindo a China continental, Coreia do Sul, Singapura e Tailândia.

Fábio Pombo acredita que Hong Kong pode ser importante para testar a resposta de vários mercados asiáticos ao pastel de nata "e isso vai facilitar também o saltar para outras geografias".

Comparando com o croissant francês, o `chef` disse acreditar que o pastel de nata pode "se calhar daqui a 10 anos, 20 anos, tornar-se uma referência mundial da identidade portuguesa, tanto ou mais do que o Cristiano Ronaldo".

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