Primeiro-ministro de Cabo Verde diz que extinção de Novo Banco era única solução

Primeiro-ministro de Cabo Verde diz que extinção de Novo Banco era única solução

Assomada, Cabo Verde, 10 mar (Lusa) - O primeiro-ministro cabo-verdiano disse hoje que a resolução do Novo Banco era a única solução possível para evitar a acumulação de problemas na instituição, que representa um prejuízo de cerca de 16 milhões de euros para o Estado.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Não havia outra solução a não ser resolver, ou seja extinguir o Novo Banco, senão seria um acumular ainda de mais problemas", num banco que, segundo Ulisses Correia e Silva, citado pela agência de notícias cabo-verdiana Inforpress, "nasceu mal, cresceu mal e havia de dar mal".

O primeiro-ministro falava hoje aos jornalistas no município de Santa Catarina, interior da ilha de Santiago.

O banco central cabo-verdiano (BCV) anunciou na quarta-feira a resolução e venda à Caixa Económica de Cabo Verde de parte da atividade do Novo Banco, uma instituição de capitais quase exclusivamente públicos, com cerca de 13.200 depositantes, 60 trabalhadores e vocacionado para a economia social e o microcrédito.

Com esta medida, sustentou Ulisses Correia e Silva, foi possível "salvar os depósitos" e garantir "através da Caixa Económica de Cabo Verde a normalidade na relação com os depositantes".

"Conseguimos salvar o essencial. A partir de agora temos que assegurar que o sistema financeiro continue a funcionar com tranquilidade e níveis de confiança", acrescentou.

Também hoje, em conferência de imprensa, o ministro das Finanças, Olavo Correia, considerou que o banco representava "um risco substancial para os depositantes e contribuintes", bem como para o sistema financeiro.

O ministro adiantou que o Estado "não podia continuar a injetar recursos" numa instituição que não criava valor e que se tinha desviado do modelo de negócio original de financiamento da economia social.

"O microcrédito representava apenas 5% do total da carteira de crédito do banco", disse Olavo Correia, sublinhando que a resolução do banco foi "a solução mais ajustada às necessidades de garantia de estabilidade do sistema financeiro e de proteção dos depositantes".

O banco, criado em 2010, tinha em carteira cerca de 2, 6 mil milhões de escudos (cerca de 23,5 milhões de euros), 1,7 mil milhões dos quais (cerca de 15, 4 milhões de euros) passam para à Caixa Económica de Cabo Verde, o segundo maior banco cabo-verdiano.

No Novo Banco ficam créditos no valor de 800 milhões de escudos (cerca de 7,2 milhões de euros), na sua maioria dificilmente recuperáveis, as dívidas contraídas junto dos acionistas públicos e de um banco africano e as responsabilidades com os contratos dos trabalhadores.

Globalmente a resolução do Novo Banco representa um prejuízo de 1,8 mil milhões de escudos (cerca de 16,3 milhões de euros) para os Estado cabo-verdiano.

A resolução é o primeiro passo para a liquidação administrativa do banco, que começou a funcionar em 2011 com o "propósito fundamental" de financiar a concessão de crédito a famílias sem acesso ao crédito e a pequenos promotores em setores como o turismo ou o agronegócio.

Desvios no modelo de negócio, com a entrada em concorrência direta com a banca comercial, e incapacidade da instituição de cumprir os rácios prudenciais exigidos, mesmo após três recapitalizações, ditaram a resolução.

"Em 2015, a estrutura acionista do Novo Banco era composta pelo Estado (42,33%), e pelas instituições publicas Instituto Nacional da Previdência Social (28,28%), Caixa Económica de Cabo Verde (11,76%), Correios de Cabo Verde (7,35%) Imobiliária Fundiária e Habitat (7,35%) e pelo Banco Português de Gestão (2,94%), que foi o parceiro estratégico no arranque do banco.

Desde o anúncio da resolução que as agências do Novo Banco têm registado uma afluência maior que o normal de clientes à procura de informações sobre os seus depósitos, segundo a imprensa cabo-verdiana.

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