Prognóstico da Pricewaterhouse: o imparável declínio do Ocidente

Prognóstico da Pricewaterhouse: o imparável declínio do Ocidente

No ano 2050, a China será a primeira e a Índia a segunda maior economia do mundo. Os Estados Unidos, à tangente, conseguirão ainda o último lugar no podium. As economias europeias continuarão a perder protagonismo. Isso, pelo menos, prevê a empresa de auditoria PWC.

RTP /
Brendan McDermid, Reuters

O estudo The World in 2050 ontem publicado pela PricewaterhouseCoopers (PwC), apresenta projecções surpreendentes sobre o crescimento das diversas economias nacionais até 2050.

Esperada, era já a liderança chinesa que, segundo o simples - e um tanto simplista - critério da comparação do PIB, já em 2014 destronou a anterior liderança norte-americana. Especulações sobre a fragilidade dessa liderança e a sua eventual perda, devido à desaceleração do crescimento já verificável hoje em dia, não são confirmadas nas projecções da PWC.

Um dos travões fundamentais, que contribuem para a desaceleração chinesa, é, segundo a PWC, o envelhecimento da população. Um outra superpotência demográfica, a Índia, continuará a ganhar posições e, em 2050, terá ultrapassado os EUA como segunda economia mundial.



Os primeiros comentários ao estudo da PWC discutem mesmo a possibilidade de ele traduzir um regresso a padrões de crescimento novecentistas, quando os êxitos da Revolução Industrial dependiam da força de trabalho disponível.

A China, à cabeça do ranking, seria nesta hipótese interpretativa, uma confirmação do regresso a estes padrões. A Índia, com uma pirâmide de idades mais jovem, ficaria ainda atrás da China, mas a reduzir claramente o avanço desta.

Outros países "emergentes", com importantes reservas de força laboral, melhorariam também a sua posição: a Indonésia e o Brasil ultrapassariam a Rússia já em 2030; os mesmos Indonésia e Brasil, bem como o México, em 2050 ultrapassariam também a Alemanha e o Japão ("país do sol nascente", sempre, para estes efeitos, considerado uma nação "ocidental"). E mesmo a Rússia e a Nigéria ultrapassariam a Alemanha em 2050.

Globalmente, as três potências económicas europeias - Alemanha, França e Reino Unido - encontram-se ainda hoje entre as dez primeiras do ranking mundial. Mas em 2030 a França ficaria já de fora da lista, e em 2050 também o Reino Unido perderia o seu lugar. Só a Alemanha se manteria entre os dez grandes do mundo, mas nesse caso caindo do actual 5º lugar, para o 8º de 2030 e para o 10º de 2050.

Na lista das 20 maiores economias do mundo, manter-se-ão o Reino Unido, a França, a Itália e o Canadá - mas estes dois ultrapassados pelo Paquistão e pelo Egipto.

Segundo declarações do administrador da PWC Norbert Winkeljohann, "o nosso prognóstico mostra claramente que a Europa perde peso económico na comparação a nível mundial. Os centros da economia mundial continuam no futuro a deslocar-se para a Ásia".

Ainda segundo a PWC, o fosso entre as maiores economias e as que se seguem no ranking irá tornar-se maior. Por outro lado, nada garante que as pessoas dos países com maior crescimento passem a viver melhor, porque as projecções puramente econométricas sobre o aumento dos salários reais são pessimistas: em 2050 o salário médio na China não terá ultrapassado os 40 por cento, e na Índia os 25 por cento, do salário médio dos EUA.
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