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Promotora chinesa Vanke registou prejuízos de 11,1 milhões de euros em 2025

Promotora chinesa Vanke registou prejuízos de 11,1 milhões de euros em 2025

Os prejuízos do gigante imobiliário chinês Vanke cresceram 79% em 2025, para 88,6 mil milhões de yuan (11,1 mil milhões de euros), pior do que as próprias previsões da empresa.

Lusa /
Foto: WikiCommons

Após um segundo exercício em prejuízo, a Vanke acumula perdas de 138 mil milhões de yuan (17,3 mil milhões de euros) desde 2024. Antes disso, tinha sempre apresentado lucros desde a sua entrada em bolsa, em 1991.

Na demonstração de resultados enviada à Bolsa de Hong Kong, onde está cotada, a promotora indicou que as receitas caíram 32% em termos homólogos, para 233,4 mil milhões de yuan (29,3 mil milhões de euros), devido à prolongada crise no setor desde o início da década.

Em concreto, as vendas da Vanke medidas por área de construção recuaram 43,4%, para cerca de 10,25 milhões de metros quadrados ao longo de 2025, ano em que entregou 117 mil habitações -- uma prioridade definida por Pequim para as promotoras no contexto da crise imobiliária, de forma a evitar problemas sociais, já que o imobiliário é um dos principais veículos de investimento das famílias chinesas.

O caso da Vanke é relevante porque, após o colapso de gigantes privados como Evergrande ou Country Garden devido às respetivas crises de dívida, era uma das poucas promotoras estatais que ainda mantinha uma notação de crédito favorável até que, em março de 2025, as principais agências a desceram para a categoria de `lixo`, com várias revisões em baixa desde 2024.

Isto colocou-a como uma empresa-chave para avaliar a postura das autoridades face ao setor. A Vanke tem evitado entrar em incumprimento da sua dívida apenas graças a empréstimos de cerca de 4,2 mil milhões de dólares (3,63 mil milhões de euros) concedidos pelo principal acionista, a Shenzhen Metro.

No entanto, esse apoio está em causa desde o final de 2025, uma vez que as autoridades apontam agora para condições mais exigentes para continuar a financiar o grupo, o que tem levado os investidores a duvidar da sua capacidade de evitar o incumprimento e a temer um eventual efeito de contágio sobre outras promotoras que também resistiam.

A Vanke conseguiu, para já, evitar uma entrada em incumprimento ao obter o apoio dos credores com uma proposta melhorada para adiar o vencimento de algumas obrigações, estando a preparar um dos maiores planos de reestruturação da história da China.

O resultado negativo de 2025 "não se deveu apenas a fatores externos, mas também a questões internas, como erros de avaliação em operações", indicou a empresa, acrescentando: "Será necessário tempo para resolver os encargos e problemas resultantes do anterior modelo de desenvolvimento baseado em elevados níveis de endividamento".

"Os riscos não foram totalmente resolvidos, e as operações e o desenvolvimento do grupo continuam a enfrentar desafios graves", sublinhou.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, a promotora enfrenta mais de 11 mil milhões de yuan (1,38 mil milhões de euros) em vencimentos de obrigações nos próximos meses, e apresentava no final do exercício uma lacuna de refinanciamento de curto prazo de cerca de 93 mil milhões de yuan (11,7 mil milhões de euros).

A posição financeira de muitas imobiliárias chinesas deteriorou-se depois de, em agosto de 2020, Pequim ter anunciado restrições ao acesso ao financiamento bancário para promotoras com elevados níveis de dívida, entre as quais se destacava a Evergrande, com um passivo de quase 330 mil milhões de dólares (285 mil milhões de euros).

Perante este cenário, o Governo tem anunciado várias medidas de apoio, com os bancos estatais a abrirem também linhas de crédito multimilionárias para diversas promotoras.

Ainda assim, o mercado não reage: as vendas comerciais medidas por área de construção caíram 24,3% em 2022, 8,5% em 2023, mais 12,9% em 2024 e 8,7% em 2025.

 

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